No cinturão de diversidade biológica do planeta
– que tornou possível o advento do homem – a
Amazônia se destaca pela extraordinária continuidade
de suas florestas, pela ordem de grandeza de sua
principal rede hidrográfica e pelas sutis variações de
seus ecossistemas, em nível regional e de altitude.
Trata-se de um gigantesco domínio de terras baixas
florestadas, disposto em anfiteatro, enclausurado
entre a grande barreira imposta pelas terras
cisandinas e pelas bordas dos planaltos Brasileiro e
Guianense.
Ab´Saber, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil.
Potencialidades paisagísticas. São Paulo. Ateliê Editorial.
2003. p. 65.
Considerando o excerto acima e o que se sabe sobre
a Amazônia, analise as seguintes afirmações:
I. Enquanto o sul da Amazônia Brasileira é
dominado por chuvas de verão entre janeiro e
março, o norte da região recebe chuvas
maiores durante o verão boreal entre maio e
julho.
II. Na Amazônia, os igarapés são cursos d’água
de primeira ou segunda ordem, componentes
primários de tributação de rios pequenos,
médios e grandes.
III. As mudanças climáticas, na região
amazônica, que resultaram em climas mais
úmidos e menos sazonais foram responsáveis
pela geração de novas condições de solo e
expansão da floresta.
Está correto o que se afirma em
Gabarito comentado
Alternativa correta: C — I, II e III.
Tema central: dinâmica climática, hidrografia e evolução dos ecossistemas da Amazônia. É preciso entender a ação da ZCIT/ITCZ na sazonalidade das chuvas, a hierarquia de drenagem (definição de igarapés) e a influência de variações climáticas pleistocenas/holocenas na expansão da floresta e na formação de solos.
Resumo teórico
Sazonalidade das chuvas: a migração da Zona de Convergência Intertropical determina picos pluviométricos distintos segundo a latitude: o sul da Amazônia tem máximos no verão austral (dez–fev/jan–mar), enquanto o norte tem influência da ITCZ no verão boreal (maio–jul) em áreas mais próximas ao equador/norte.
Hidrografia — igarapés: igarapés são pequenos cursos d’água típicos da malha de drenagem amazônica, normalmente de 1ª ou 2ª ordem na classificação de Strahler, atuando como tributários primários que alimentam rios maiores.
Mudanças climáticas paleoclimáticas: fases mais úmidas no passado modificaram a dinâmica de pedogênese e permitiram expansão de florestas em áreas antes mais abertas; essa relação é bem documentada em estudos paleoclimáticos e por autores como Ab’Saber (2003) e na literatura sobre paleovegetação amazônica.
Justificativa da alternativa C
I — Verdadeira: diferença latitudinal na época de máximas chuvas pela posição da ITCZ, como descrito acima.
II — Verdadeira: igarapés são, de fato, pequenos cursos (ordem 1–2) que compõem a malha de drenagem e servem de tributários iniciais.
III — Verdadeira: episódios climáticos mais úmidos reduziram a sazonalidade, promovendo pedogênese e condições favoráveis à expansão de cobertura florestal (fonte: Ab’Saber, 2003; estudos paleoclimáticos sobre a Amazônia).
Análise das alternativas incorretas
A (II e III apenas) — rejeita I, mas I é correta por causa da migração da ITCZ.
B (I e III apenas) — ignora II; porém a definição funcional dos igarapés é correta e fundamenta II.
D (I e II apenas) — ignora III, embora o papel de fases mais úmidas na expansão da floresta seja suportado por evidências paleoclimáticas.
Dica de prova: identifique termos-chave (ex.: "norte/sul", "igarapés", "mudanças climáticas") e relacione com processos físicos básicos (ITCZ, classificação de ordem de rios, paleovegetação). Questões que misturam hidrologia e paleoclima exigem conectar escalas temporal e espacial.
Fontes/consultas recomendadas: Ab’Saber (2003) — Os domínios de natureza no Brasil; manuais do IBGE sobre vegetação e hidrografia; literatura sobre hidrologia amazônica (p. ex. trabalhos de Latrubesse) e estudos paleoclimáticos.
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