Questão c8e62ebf-b2
Prova:IF-PE 2017
Disciplina:Português
Assunto:Crase

No título da música “Briga à toa” do compositor pernambucano Jorge de Altinho, transcrita no TEXTO, há um acento grave indicativo de crase que se justifica pelo fato de “à toa” ser uma locução adverbial de modo. Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela em que a afirmativa acerca da omissão ou o do uso da crase está CORRETA.

Briga à toa – Jorge de Altinho

Briga à toa – Jorge de Altinho Se você quer voltar pra mim

Tem que me dizer agora

Meu amor, vamos embora

Pois quem ama, não demora

A gente perde tempo à toa

Não tem briga boa, bom mesmo é amar

Você sofrendo, me querendo

E eu aqui roendo, doido pra voltar

Não adianta mais fingir

Que não dá mais pra ir na mesma direção

É bom a gente se entender

Pra depois não sofrer com a separação

Disponível: < https://www.letras.mus.br/jorge-de-altinho/briga-a-toa/>. Acesso em: 10 maio. 2017.

A
No período “Ela foi-se animando à medida que a dor passava” o acento grave indicativo de crase é facultativo, uma vez que a expressão em negrito se trata de uma locução prepositiva.
B
Em “Todas as questões devem ser respondidas a caneta”, não se usa acento grave indicativo de crase, pois “a caneta” é uma locução adverbial de instrumento.
C
Na frase “Meu filho, entregue isso à Paula, nossa vizinha”, o uso do acento grave indicativo de crase é obrigatório por se tratar de um nome próprio feminino.
D
Em “Diziam que ela dançava samba à Carlinhos de Jesus.”, não se deve usar acento grave indicativo de crase, visto que se refere a um nome próprio masculino.
E
Na frase “Dirijo-me, respeitosamente, à Vossa Senhoria.”, o uso do acento grave indicativo de crase justifica-se por anteceder um pronome de tratamento.

Gabarito comentado

J
João Martins Monitor do Qconcursos

Tema central: Uso da Crase – Regra de colocação da crase em locuções, nomes próprios, pronomes de tratamento e expressões adverbiais.

Análise da regra: A crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a ou com a vogal inicial de pronomes e locuções femininas. Seu uso está diretamente ligado à presença de ambos.
Como diz Evanildo Bechara: “O acento grave indica a fusão da preposição à com o artigo ou pronomes demonstrativos femininos”.

Alternativa Correta: B

Em a caneta, temos uma locução adverbial de instrumento feminina: “Todas as questões devem ser respondidas a caneta”.

Pela norma-padrão e segundo gramáticos como Cunha & Cintra e Rocha Lima, nesse caso, o uso da crase é facultativo. Alguns autores preferem sem crase, outros admitem: "a caneta" ou "à caneta". Portanto, não há erro em não usar crase neste contexto. A alternativa está correta.

Análise das alternativas incorretas:

A) Afirma que o uso da crase em “à medida que” é facultativo, mas está errado: em locuções conjuntivas como à medida que, a crase é obrigatória. Cuidado com essa pegadinha!

C) Antes de nomes próprios femininos (“à Paula”), o uso da crase é facultativo conforme os principais autores de gramática. A alternativa erra ao afirmar que é “obrigatório”.

D) Corretamente indica não usar crase antes de nome masculino (“à Carlinhos de Jesus”), porém sugere um uso que não tem contexto no texto. O erro aqui é o sentido: a expressão exigiria “ao estilo de Carlinhos”, não “à Carlinhos”.

E) Em pronomes de tratamento como Vossa Senhoria, não se usa crase (exceção para senhora, senhorita, dona). A alternativa erra ao justificar o uso da crase nesse caso.

Resumo para a prova: Fique atento ao tipo de expressão. Locuções adverbiais de instrumento: crase facultativa. Locuções conjuntivas femininas: crase obrigatória. Nomes próprios femininos: crase facultativa. Pronomes de tratamento: em geral, não ocorre crase.

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