Questão c430e672-b5
Prova:UESPI 2010
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo, Escolas Literárias
Ainda sobre A Confissão de Lúcio, assinale a
alternativa correta.
1) Assim como o protagonista de seu romance,
Mário de Sá-Carneiro também viveu na boêmia
de Paris e Lisboa. Sua obra, de forma geral,
apenas pode ser compreendida pelo leitor que
previamente possui conhecimento acerca da sua
biografia.
2) Apesar de A confissão de Lúcio se apresentar de
forma aparentemente linear, o ordenamento dos
fatos relatados está subordinado ao tempo
interior e subjetivo do protagonista, que constroi
seu relato na medida em que toma consciência e
dá significado à sua própria história.
3) Ao criar um personagem como Lúcio, que
desdobra seu EU em outros dois personagens
inexistentes (Ricardo e Marta), o autor evidencia
vestígios da influência que sofreu das ideias
positivistas do final do século XIX. Isto porque,
um dos temas centrais dessa novela é o retrato e
a problematização das patologias psicológicas,
mais particularmente a esquizofrenia.
Está(ão) correta(s):
Ainda sobre A Confissão de Lúcio, assinale a
alternativa correta.
1) Assim como o protagonista de seu romance,
Mário de Sá-Carneiro também viveu na boêmia
de Paris e Lisboa. Sua obra, de forma geral,
apenas pode ser compreendida pelo leitor que
previamente possui conhecimento acerca da sua
biografia.
2) Apesar de A confissão de Lúcio se apresentar de
forma aparentemente linear, o ordenamento dos
fatos relatados está subordinado ao tempo
interior e subjetivo do protagonista, que constroi
seu relato na medida em que toma consciência e
dá significado à sua própria história.
3) Ao criar um personagem como Lúcio, que
desdobra seu EU em outros dois personagens
inexistentes (Ricardo e Marta), o autor evidencia
vestígios da influência que sofreu das ideias
positivistas do final do século XIX. Isto porque,
um dos temas centrais dessa novela é o retrato e
a problematização das patologias psicológicas,
mais particularmente a esquizofrenia.
Está(ão) correta(s):
A
1 e 2 apenas
B
1 e 3 apenas
C
2 e 3 apenas
D
2 apenas
E
1, 2 e 3
Gabarito comentado
F
Fernanda LimaMonitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: O critério técnico central é que a assertiva 2 extrapola ao transformar a subjetividade do narrador em princípio estrutural dominante, enquanto a assertiva 1 preserva o vínculo biográfico escolar com Mário de Sá-Carneiro e a assertiva 3 mantém a leitura da cisão identitária e da problematização psicológica; por isso, a combinação compatível com a base é 1 e 3, isto é, a alternativa B.
Tema central: Leitura crítica da novela
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque depende da assertiva 2. Embora a novela seja memorialística, retrospectiva e subjetiva, não é tecnicamente correto afirmar que sua organização esteja subordinada ao tempo interior do protagonista como princípio estrutural dominante. A subjetividade do narrador não autoriza, por si, essa conclusão.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne as assertivas 1 e 3, que, na chave interpretativa exigida pela banca, são aceitáveis. A assertiva 1 se sustenta no dado factual de que Mário de Sá-Carneiro viveu entre Lisboa e Paris, associado à boêmia, e na admissão escolar de forte articulação entre sua experiência existencial e sua obra. A assertiva 3 se sustenta na centralidade do desdobramento do eu, da cisão identitária e da tematização de anomalias psíquicas, leitura que a prova vincula à herança finissecular. Como a assertiva 2 deve ser rejeitada, sobra apenas a alternativa que combina 1 e 3.
C
Errada
Está errada porque também inclui a assertiva 2, que é justamente o ponto excluído pela base. A presença da assertiva 3 não salva a alternativa, pois o excesso conceitual da 2 inviabiliza a combinação.
D
Errada
Está errada porque toma como única correta a assertiva 2, mas a base afirma o contrário: a 2 não se sustenta nos termos em que foi formulada. Além disso, desconsidera que 1 e 3 são mantidas como corretas pela leitura escolar adotada pela prova.
E
Errada
Está errada porque supõe corretas as três assertivas. Isso não é possível, já que a assertiva 2 extrapola ao converter a memória subjetiva e a narração em primeira pessoa em prova de subordinação estrutural ao tempo psicológico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre narrador subjetivo e narrativa estruturada pelo tempo interior: como o relato é memorialístico e em primeira pessoa, o candidato pode aceitar a assertiva 2 sem perceber que ela atribui à obra um princípio construtivo mais forte do que a base autoriza.
Dica para questões semelhantes
- Em questões de narrativa, não iguale automaticamente primeira pessoa e memória subjetiva a tempo psicológico dominante.
- Quando a prova adota leitura escolar biografista, avalie a compatibilidade da assertiva com essa chave antes de rejeitá-la por rigor teórico estrito.
- Em itens sobre cisão do eu e duplicidade identitária, verifique se a banca está usando uma moldura psicologizante didática, mesmo com possíveis imprecisões conceituais.
- Se uma assertiva traz formulação estrutural forte, confira se a base realmente sustenta esse nível de generalização.






