Questão b7e954ad-e0
Prova:UEPB 2011, UEPB 2011
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo, Escolas Literárias
Quando se compara literatura e cinema, o primeiro fato que ocorre ao estudioso é o do enorme fosso semiótico que separa, aparentemente de
modo inconciliável, essas duas formas de expressão, fundadas, cada uma, em espécies de signos e códigos tão diferentes. A literatura,
acredita-se, não vai ter nunca a mobilidade plástica do cinema, e este, por sua vez, nunca o nível de abstração da literatura. Por outro lado, por
grande e intransponível que seja esse fosso, há um número considerável de semelhanças que podem ser apontadas e que mantêm literatura
e cinema numa espécie de estado sincrônico de compatibilidade permanente.
BRITO. J.B. Literatura no cinema. São Paulo: Unimarco, 2006.
Os diálogos entre literatura e cinema, frutos da reflexão de diversos pensadores, como o crítico de cinema paraibano João Batista de Brito, e
da prática artística de inúmeros escritores e diretores, NÃO permitem concluir que
Quando se compara literatura e cinema, o primeiro fato que ocorre ao estudioso é o do enorme fosso semiótico que separa, aparentemente de
modo inconciliável, essas duas formas de expressão, fundadas, cada uma, em espécies de signos e códigos tão diferentes. A literatura,
acredita-se, não vai ter nunca a mobilidade plástica do cinema, e este, por sua vez, nunca o nível de abstração da literatura. Por outro lado, por
grande e intransponível que seja esse fosso, há um número considerável de semelhanças que podem ser apontadas e que mantêm literatura
e cinema numa espécie de estado sincrônico de compatibilidade permanente.
BRITO. J.B. Literatura no cinema. São Paulo: Unimarco, 2006.
Os diálogos entre literatura e cinema, frutos da reflexão de diversos pensadores, como o crítico de cinema paraibano João Batista de Brito, e
da prática artística de inúmeros escritores e diretores, NÃO permitem concluir que
A
a interação entre cinema e literatura é característica de uma fase da produção do conhecimento humano em que nenhum campo do saber
pode estar isolado sem remeter a um todo que compreende a cultura de uma época e o enriquecimento mútuo, que hoje chamamos de
interdisciplinaridade e/ou interartisticidade.
B
nenhuma forma de interação entre diferentes campos de arte e de linguagem pode gerar bons resultados estéticos em virtude das
especificidades de cada uma delas.
C
o século XX produziu uma interação ininterrupta entre cinema e literatura, comprovada pela maneira como o cinema incorporou a
narratividade própria ao texto literário e como a literatura se utilizou do princípio da montagem cinematográfica como, por exemplo, em
Memórias sentimentais de João Miramar de Oswald de Andrade, e em Vidas secas de Graciliano Ramos.
D
Literatura e cinema foram duas das artes mais influentes do Modernismo, que compreende as últimas décadas do século XIX e as
primeiras décadas da segunda metade do século XX, e juntas ajudaram a fundamentar os princípios estéticos do que hoje compreendemos
como arte.
E
a literatura brasileira tem sido uma rica fonte para diversos realizadores do cinema que têm, através do diálogo com ela, produzido alguns
dos mais importantes filmes do cinema nacional, tais como Os inconfidentes, Lavoura arcaica e Cidade de Deus.
Gabarito comentado
D
Domingos CamposMentor Qconcursos
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é o limite inferencial do enunciado: ele afirma, em termos gerais, que há “um número considerável de semelhanças” e “um estado sincrônico de compatibilidade permanente” entre literatura e cinema. A alternativa C, ao formular uma interação “ininterrupta” no século XX e ao apresentá-la com mecanismos e exemplos específicos, extrapola esse alcance e, por isso, é a que NÃO se pode concluir.
Tema central: interartisticidade entre literatura e cinema
Análise das alternativas
A
Errada
Não é a resposta porque permanece compatível com a ideia central do texto: artes diferentes podem dialogar e se enriquecer mutuamente. Os termos teóricos usados não contradizem o enunciado.
B
Errada
Não é a resposta porque contradiz o texto-base. O enunciado reconhece diferença de códigos, mas afirma semelhanças e compatibilidade permanente; logo, não autoriza concluir que a interação entre artes não possa gerar bons resultados estéticos.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque converte a compatibilidade geral indicada pelo texto-base em uma tese histórico-formal específica. O enunciado autoriza a ideia de diálogo e semelhanças entre literatura e cinema, mas não sustenta, por si só, a afirmação de uma interação “ininterrupta” ao longo do século XX nem a comprovação dessa tese por procedimentos formais e exemplos determinados. Assim, C excede o que o texto permite concluir.
D
Errada
Não é a resposta segundo o gabarito oficial, porque a exclusão de D não decorre de sua periodização histórica imprecisa, mas do fato de que a alternativa correta é C, por extrapolação do enunciado. Assim, D permanece fora do gabarito por não ser a única que excede o texto no sentido cobrado.
E
Errada
Não é a resposta porque se mantém no plano geral do diálogo entre literatura brasileira e cinema nacional, o que é compatível com o tema da questão e com a ideia de intercâmbio entre artes.
Pegadinha da questão
A questão explora a tendência de aceitar uma alternativa sofisticada e verossímil que cita obras e procedimentos críticos, sem perceber que ela extrapola o nível geral do enunciado ao afirmar continuidade histórica absoluta e comprovação técnico-formal específica.
Dica para questões semelhantes
- Compare o grau de generalidade do texto-base com o da alternativa: se a opção acrescenta recorte histórico amplo, mecanismo técnico específico ou exemplos usados como prova, verifique se isso realmente está autorizado pelo enunciado.
- Desconfie de termos absolutos como “ininterrupta”, porque eles exigem sustentação mais forte do que a mera ideia de aproximação ou compatibilidade.
- Não confunda diferença de linguagem com impossibilidade de diálogo estético; o enunciado pode reconhecer especificidade formal e, ao mesmo tempo, afirmar compatibilidade entre artes.






