Baseando-se na premissa de que um bom desempenho cerebral está associado ao sono de qualidade, boa
alimentação, exercícios físicos e exercícios mentais, um pesquisador resolveu testar uma hipótese sobre esse
assunto. Ele queria investigar se a resolução de palavras cruzadas de diferentes níveis de complexidade
ajudava na memorização de fatos. Assim, em um dado momento da pesquisa, formou, aleatoriamente, a
partir de amostra selecionada, três grupos: GC – grupo controle, GE1 – grupo experimental 1, GE2 – grupo
experimental 2.
Diante do exposto, uma atitude INCORRETA do pesquisador que, com certeza, comprometeria a
conclusão da pesquisa seria:
Gabarito comentado
Alternativa correta: B
Tema central: desenho experimental e validade interna: como a alocação de intervenções em grupos (controle vs. experimentais) afeta a interpretação causal de um estudo. É essencial que o grupo controle não receba a intervenção ativa cuja eficácia se quer testar — caso contrário, a comparação fica comprometida.
Resumo teórico (claro e progressivo):
Controle experimental: grupo que representa o padrão sem a intervenção prescrita (pode receber nenhum tratamento ou um placebo/condição neutra).
Variável independente: tipo e nível das palavras cruzadas (fácil, médio, avançado).
Validade interna: garante que diferenças observadas sejam atribuíveis apenas à intervenção — mantêm-se constantes outros fatores (número de perguntas, tempo, atenção, aleatorização).
Por que a alternativa B compromete a conclusão (justificativa):
Se o grupo controle (GC) também realizar palavras cruzadas, mesmo que sejam de nível fácil, ele deixa de ser um verdadeiro controle neutro. Assim, qualquer diferença na memorização entre GC e os grupos experimentais pode resultar do simples fato de resolver palavras cruzadas (efeito de prática, ativação cognitiva), não da complexidade das mesmas. Isso elimina a comparação válida entre “sem intervenção” e “com intervenção” e compromete a inferência causal.
Análise das outras alternativas (por que são aceitáveis):
- A — Colocar o mesmo número de perguntas em GE1 e GE2 é uma boa prática: controla a dose da atividade, evitando confusão entre complexidade e volume.
- C — Dar nível médio ao GE1 e D — dar nível avançado ao GE2 são decisões experimentais válidas se o objetivo é comparar efeitos de diferentes níveis de complexidade. Essas medidas preservam o contraste entre condições e permitem testar a hipótese.
Dica de interpretação para provas: ao ver “INCORRETA” procure a alternativa que altera a condição essencial do experimento (a identidade do controle, a aleatorização ou a mensuração). Questões sobre desenho experimental frequentemente “pegam” quem não reconhece que o controle deve permanecer livre da intervenção testada.
Fontes sugeridas: Shadish, Cook & Campbell (2002), “Experimental and Quasi-Experimental Designs”; Zar, J. H. (1999), “Biostatistical Analysis” — textos clássicos sobre desenho experimental e validade interna.
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