Questão b75d2b2f-b4
Prova:Unimontes - MG 2018
Disciplina:Biologia
Assunto:Biologia como ciência, Origem e evolução da vida

Baseando-se na premissa de que um bom desempenho cerebral está associado ao sono de qualidade, boa alimentação, exercícios físicos e exercícios mentais, um pesquisador resolveu testar uma hipótese sobre esse assunto. Ele queria investigar se a resolução de palavras cruzadas de diferentes níveis de complexidade ajudava na memorização de fatos. Assim, em um dado momento da pesquisa, formou, aleatoriamente, a partir de amostra selecionada, três grupos: GC – grupo controle, GE1 – grupo experimental 1, GE2 – grupo experimental 2.

Diante do exposto, uma atitude INCORRETA do pesquisador que, com certeza, comprometeria a conclusão da pesquisa seria:

A
Colocar, nas palavras cruzadas dos grupos GE1 e GE2, o mesmo número de perguntas a serem respondidas.
B
Disponibilizar palavras cruzadas de nível fácil de complexidade para o GC resolver.
C
Disponibilizar somente palavras cruzadas de nível médio de complexidade para o GE1 resolver.
D
Deixar o GE2 resolver somente palavras cruzadas de nível avançado de complexidade.

Gabarito comentado

P
Pâmela ArrudaMonitor do Qconcursos

Alternativa correta: B

Tema central: desenho experimental e validade interna: como a alocação de intervenções em grupos (controle vs. experimentais) afeta a interpretação causal de um estudo. É essencial que o grupo controle não receba a intervenção ativa cuja eficácia se quer testar — caso contrário, a comparação fica comprometida.

Resumo teórico (claro e progressivo):

Controle experimental: grupo que representa o padrão sem a intervenção prescrita (pode receber nenhum tratamento ou um placebo/condição neutra).

Variável independente: tipo e nível das palavras cruzadas (fácil, médio, avançado).

Validade interna: garante que diferenças observadas sejam atribuíveis apenas à intervenção — mantêm-se constantes outros fatores (número de perguntas, tempo, atenção, aleatorização).

Por que a alternativa B compromete a conclusão (justificativa):

Se o grupo controle (GC) também realizar palavras cruzadas, mesmo que sejam de nível fácil, ele deixa de ser um verdadeiro controle neutro. Assim, qualquer diferença na memorização entre GC e os grupos experimentais pode resultar do simples fato de resolver palavras cruzadas (efeito de prática, ativação cognitiva), não da complexidade das mesmas. Isso elimina a comparação válida entre “sem intervenção” e “com intervenção” e compromete a inferência causal.

Análise das outras alternativas (por que são aceitáveis):

  • A — Colocar o mesmo número de perguntas em GE1 e GE2 é uma boa prática: controla a dose da atividade, evitando confusão entre complexidade e volume.
  • C — Dar nível médio ao GE1 e D — dar nível avançado ao GE2 são decisões experimentais válidas se o objetivo é comparar efeitos de diferentes níveis de complexidade. Essas medidas preservam o contraste entre condições e permitem testar a hipótese.

Dica de interpretação para provas: ao ver “INCORRETA” procure a alternativa que altera a condição essencial do experimento (a identidade do controle, a aleatorização ou a mensuração). Questões sobre desenho experimental frequentemente “pegam” quem não reconhece que o controle deve permanecer livre da intervenção testada.

Fontes sugeridas: Shadish, Cook & Campbell (2002), “Experimental and Quasi-Experimental Designs”; Zar, J. H. (1999), “Biostatistical Analysis” — textos clássicos sobre desenho experimental e validade interna.

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