Questão a8a3efef-02
Prova:UEG 2017
Disciplina:Biologia
Assunto:Problemas ambientais e medidas de conservação, Ecologia e ciências ambientais

Em novembro de 2015, o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco provocou uma enxurrada de lama que devastou o distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, em Minas Gerais, deixando um rastro de destruição à medida que a lama avançava pelo Rio Doce. Cerca de um ano depois, alguns biólogos têm levantado a possibilidade de existir uma relação entre o recente aumento da incidência de casos de febre amarela, em Minas Gerais e Espírito Santo, com o acidente ambiental relatado. As suspeitas dos biólogos são pautadas no fato de as cidades em que foram identificados casos de pacientes com sintomas dessa doença serem próximas ao Rio Doce e no fato de terem sido encontrados macacos mortos infectados pelo vírus da febre amarela próximo à cidade de Colatina, no estado do Espírito Santo, cidade também afetada pela tragédia de Mariana. Sobre as contribuições do desequilíbrio ecológico para a proliferação de doenças, verifica-se que

A
no passado, o ciclo de febre amarela era mantido na floresta, mas, com a degradação desses habitats, animais deixaram seus ambientes e passaram a viver em áreas mais próximas de povoados e cidades, aproximando-se do homem e aumentando, assim, os riscos de contaminação em humanos.
B
a poluição da água, causada por lançamento de esgoto doméstico, gera um enriquecimento orgânico nos ambientes aquáticos que contribui para o controle de organismos transmissores de doenças tropicais como a esquistossomose.
C
uma das formas de intensificar os efeitos nocivos do desmatamento é a manutenção de unidades de conservação que, ao fornecerem espaços restritos para os animais viverem, facilitam a sua migração para centros urbanos.
D
as árvores contribuem para a redução da temperatura, consequentemente, as áreas desmatadas tendem a ser mais quentes, dificultando o ciclo de vida do mosquito transmissor de doenças como a febre amarela.
E
os impactos ambientais geram um desequilíbrio nas teias tróficas, o que pode levar à redução das populações de mosquitos transmissores por eliminar seus predadores naturais.

Gabarito comentado

C
Carla CerqueiraMonitor do Qconcursos

Resposta correta: Alternativa A

Tema central: impactos ambientais (desmatamento, rompimento de habitats) e a proliferação/ressurgimento de zoonoses, usando como exemplo a febre amarela — doença que tem ciclo silvestre em primatas e pode “vazar” para humanos quando há maior contato.

Resumo teórico: A febre amarela mantém-se, classicamente, em ciclo silvestre entre mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes e primatas não humanos (função de sentinela). Alterações ambientais (desmatamento, poluição, barragens) deslocam animais e vetores ou forçam aproximação entre populações humanas e reservatórios, aumentando o risco de spillover. Fontes: WHO (Yellow fever fact sheet) e Ministério da Saúde (Brasil).

Por que A está correta: A alternativa descreve exatamente o mecanismo de deslocamento de fauna e aproximação homem-animal decorrente da degradação de habitat, que eleva a probabilidade de transmissão de doenças zoonóticas como a febre amarela. Observações de primatas mortos infectados próximos a áreas impactadas sustentam essa hipótese.

Análise das alternativas incorretas:

B (errada): afirma que poluição por esgoto gera enriquecimento orgânico que controla vetores como os envolvidos na esquistossomose. Na verdade o enriquecimento (eutrofização) costuma favorecer habitats de hospedeiros intermediários (caramujos) e pode aumentar risco, não reduzir.

C (errada): diz que unidades de conservação intensificam os efeitos nocivos do desmatamento. Pelo contrário, unidades de conservação protegem habitat e tendem a reduzir migração forçada de fauna; não são causa de intensificação do problema.

D (errada): supõe que áreas desmatadas, por serem mais quentes, dificultam o ciclo do mosquito vetor. Em geral o aumento de temperatura e a alteração de micro-hábitats favorecem muitos mosquitos (aumentam taxa de reprodução e velocidade do ciclo), portanto a afirmação é equivocada.

E (errada): afirma que impactos ambientais levam à redução de mosquitos por eliminação de predadores. Na prática, remoção de predadores e alteração de ecossistemas costuma aumentar populações de vetores ou favorecer espécies oportunistas; o resultado esperado é frequentemente amplificação, não redução.

Fontes úteis: WHO – Yellow fever; Ministério da Saúde (Brasil) – Febre Amarela; Fiocruz.

Estratégia de prova: identifique o mecanismo ecológico plausível (deslocamento de hospedeiros/vectores e aumento do contato com humanos). Desconfie de alternativas que invertam causa/efeito ou que apresentem efeitos contrários ao consenso ecológico.

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