Em novembro de 2015, o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco provocou uma enxurrada de
lama que devastou o distrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, em Minas Gerais, deixando um rastro
de destruição à medida que a lama avançava pelo Rio Doce. Cerca de um ano depois, alguns biólogos têm
levantado a possibilidade de existir uma relação entre o recente aumento da incidência de casos de febre
amarela, em Minas Gerais e Espírito Santo, com o acidente ambiental relatado. As suspeitas dos biólogos são
pautadas no fato de as cidades em que foram identificados casos de pacientes com sintomas dessa doença
serem próximas ao Rio Doce e no fato de terem sido encontrados macacos mortos infectados pelo vírus da febre
amarela próximo à cidade de Colatina, no estado do Espírito Santo, cidade também afetada pela tragédia de
Mariana. Sobre as contribuições do desequilíbrio ecológico para a proliferação de doenças, verifica-se que
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa A
Tema central: impactos ambientais (desmatamento, rompimento de habitats) e a proliferação/ressurgimento de zoonoses, usando como exemplo a febre amarela — doença que tem ciclo silvestre em primatas e pode “vazar” para humanos quando há maior contato.
Resumo teórico: A febre amarela mantém-se, classicamente, em ciclo silvestre entre mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes e primatas não humanos (função de sentinela). Alterações ambientais (desmatamento, poluição, barragens) deslocam animais e vetores ou forçam aproximação entre populações humanas e reservatórios, aumentando o risco de spillover. Fontes: WHO (Yellow fever fact sheet) e Ministério da Saúde (Brasil).
Por que A está correta: A alternativa descreve exatamente o mecanismo de deslocamento de fauna e aproximação homem-animal decorrente da degradação de habitat, que eleva a probabilidade de transmissão de doenças zoonóticas como a febre amarela. Observações de primatas mortos infectados próximos a áreas impactadas sustentam essa hipótese.
Análise das alternativas incorretas:
B (errada): afirma que poluição por esgoto gera enriquecimento orgânico que controla vetores como os envolvidos na esquistossomose. Na verdade o enriquecimento (eutrofização) costuma favorecer habitats de hospedeiros intermediários (caramujos) e pode aumentar risco, não reduzir.
C (errada): diz que unidades de conservação intensificam os efeitos nocivos do desmatamento. Pelo contrário, unidades de conservação protegem habitat e tendem a reduzir migração forçada de fauna; não são causa de intensificação do problema.
D (errada): supõe que áreas desmatadas, por serem mais quentes, dificultam o ciclo do mosquito vetor. Em geral o aumento de temperatura e a alteração de micro-hábitats favorecem muitos mosquitos (aumentam taxa de reprodução e velocidade do ciclo), portanto a afirmação é equivocada.
E (errada): afirma que impactos ambientais levam à redução de mosquitos por eliminação de predadores. Na prática, remoção de predadores e alteração de ecossistemas costuma aumentar populações de vetores ou favorecer espécies oportunistas; o resultado esperado é frequentemente amplificação, não redução.
Fontes úteis: WHO – Yellow fever; Ministério da Saúde (Brasil) – Febre Amarela; Fiocruz.
Estratégia de prova: identifique o mecanismo ecológico plausível (deslocamento de hospedeiros/vectores e aumento do contato com humanos). Desconfie de alternativas que invertam causa/efeito ou que apresentem efeitos contrários ao consenso ecológico.
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