A expressão One Way, em One Way Astronaut (Astronauta sem Volta), desempenha a função de um
Viagem sem volta a Marte
Duzentas mil pessoas se candidataram para participar do projeto Mars One para colonizar o Planeta Vermelho.
Representantes de mais de 140 países inscreveram-se para a viagem sem volta, sendo que os Estados Unidos
(EUA) lideram em número de candidatos, seguidos por Índia, China, Brasil e Grã-Bretanha.
A equipe do Mars One garante que a tecnologia disponível já permite viajar para Marte e sobreviver lá.
A água, por exemplo, será obtida aquecendo-se as partículas de gelo do subsolo e condensando o vapor
resultante em reservatórios específicos. Quando o primeiro grupo chegar a Marte, o sistema de suporte à vida da
missão já terá estocado 3 mil litros de água e 120 quilogramas de oxigênio.
Embora a equipe demonstre constante otimismo, a missão obviamente contém riscos. Os principais,
durante o voo de sete meses, são a exposição à radiação e à microgravidade, prejudiciais ao sistema músculo
esquelético, e o ambiente hostil de Marte. A radiação, que engloba os raios cósmicos galácticos e solares,
é considerada pela NASA (a agência espacial americana) um obstáculo fundamental às viagens espaciais por
aumentar o risco de câncer.
O Southwest Research Institute, dos EUA, calcula que só a viagem até o Planeta Vermelho responde pela
absorção de 330 milisieverts de radiação no organismo, o equivalente a uma tomografia de corpo inteiro a cada
cinco ou seis dias, durante um ano. Portanto, tanto as naves que levarão os astronautas quanto a base marciana
exigirão blindagens bem mais resistentes do que as atuais.
Uma pergunta crucial em um projeto de tal porte é o custo. As inscrições são pagas. Assistir ao documentário
One Way Astronaut (Astronauta sem Volta), disponível no site, também tem um custo. A grande esperança do
projeto para obter financiamento é um reality show de tv e internet. Nas palavras do engenheiro holandês
Bas Lansdorp, um dos envolvidos à frente do Mars One, “Estamos falando sobre criar um grandioso espetáculo
de mídia, muito maior do que os pousos na Lua ou as Olimpíadas.”
<http://tinyurl.com/zp6l8lq> Acesso em: 27.02.2016. Adaptado.
Gabarito comentado
Comentário da Questão – Morfologia: Classe Gramatical e Função de "one-way"
Tema central: A questão avalia a compreensão de classes gramaticais, mais especificamente a função e classificação morfológica de expressões compostas em inglês aplicadas ao português, como “one-way” no contexto do título “One Way Astronaut”.
Justificativa da alternativa correta (C):
Em “One Way Astronaut” — traduzido como “Astronauta sem Volta” —, a expressão one-way qualifica o substantivo “astronaut” (astronauta), indicando tratar-se de uma missão de sentido único (sem retorno).
Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, adjetivos são palavras que modificam, qualificam ou caracterizam substantivos (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa). "One-way" funciona como um adjetivo composto em inglês. No português, equivalentes seriam: “viagem de mão única”, “rua de sentido único” — sempre qualificando o substantivo.
Portanto, a alternativa C está correta, reconhecendo one-way como adjetivo.
Análise das alternativas incorretas:
A) Verbo – “One-way” não expressa ação, não flexiona em tempo, pessoa ou número (características do verbo).
B) Preposição – Não há relação de subordinação, direção ou ligação entre termos (função típica das preposições).
D) Advérbio – Advérbios modificam verbos, adjetivos ou outros advérbios. Aqui, “one-way” qualifica um substantivo.
E) Conjunção – Não há conexão entre orações ou termos, papel da conjunção.
Como interpretar a expressão corretamente?
Ao identificar que “one-way” aponta para a característica do astronauta (alguém que vai, mas não retorna), a dedução correta é sua função adjetiva, modificando substantivo. Cuidado com pegadinhas: o termo “one-way” pode sugerir direção (advérbio), mas só adjetiva se estiver relacionado ao substantivo.
Dica: Sempre que aparecer expressão composta qualificando substantivo, pense: qualifica (adjetivo), nomeia (substantivo) ou indica ação (verbo)? Essa estratégia evita confusões.
Referências: Bechara, Evanildo – Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra – Nova Gramática do Português Contemporâneo.
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