O processo de industrialização brasileira ocorreu de forma não
linear e relacionado com o desenvolvimento do capitalismo
europeu.
Nesse sentido, é correto afirmar:
A velocidade dos avanços atuais não tem precedente na história e, nesse sentido, o Brasil foi ficando para trás. Em grande parte, o atraso da indústria nacional foi provocado por fatores, como a longa crise econômica e a falta de incentivos ao setor, em contraponto ao apoio a outros segmentos, como o agronegócio. Mas o encolhimento vem de longe. A participação da indústria na economia nacional decai há, pelo menos, quatro décadas. Em 1980, o setor correspondia a 40,9% do PIB, mas havia encolhido para 22,7%, em 2015. (A VELOCIDADE... 2018. p. 109).
Gabarito comentado
Resposta correta: E
Tema central: industrialização brasileira — fases históricas, papel do Estado e da penetração do capital estrangeiro, especialmente durante o regime militar (1964–1985). É preciso relacionar políticas econômicas (empréstimos externos, atração de multinacionais) ao padrão setorial (bens de consumo duráveis vs. setores de base controlados pelo Estado).
Resumo teórico (essencial): A industrialização no Brasil tem fases: (1) início e tentativas do século XIX (Era Mauá); (2) substituição de importações a partir de 1930 (Vargas) com forte intervenção estatal; (3) expansão e diversificação 1950–64 (JK, investimentos em base); (4) regime militar: aceleração via crédito externo, atração de capitais estrangeiros para bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos), enquanto o Estado manteve empresas e controle em setores estratégicos (petróleo, energia, siderurgia). Obras de referência: Celso Furtado, Formação Econômica do Brasil; trabalhos de Luiz Carlos Bresser‑Pereira sobre industrialização e Estado.
Por que a alternativa E está correta: Durante a ditadura militar houve intenso recurso a empréstimos externos (crescimento da dívida nos anos 1970) e entrada/expansão de multinacionais sobretudo na indústria de bens de consumo duráveis (montadoras, eletrodomésticos). Ao mesmo tempo, setores considerados estratégicos e de base permaneceram sob forte controle estatal por meio de empresas estatais (ex.: Petrobras, Eletrobrás, siderurgia e infraestrutura), o que condiz com a descrição da alternativa E.
Análise das alternativas incorretas:
A — mistura fatos: houve investimentos britânicos e destaque de Barão de Mauá, mas a explicação dada relacionando diretamente a Questão Christie e uma política imperial pró‑exportadora está imprecisa e conclusionista.
B — confunde alinhamentos: a industrialização paulista e o setor cafeeiro eram atores centrais na Primeira República, mas a descrição da aliança com o tenentismo contra as oligarquias é incorreta historicamente e contradictória.
C — Vargas de fato adotou políticas nacionalistas e fomentou indústria de base; porém a menção específica à “Lei de Remessa de Lucros” como núcleo da capitalização estatal é equivocada/insuficiente — a industrialização varguista apoiou‑se em medidas variadas (protecionismo, empresas estatais), não somente nessa lei.
D — errado: os governos populistas e o próprio período pós‑Vargas não caracterizaram redução significativa da intervenção estatal nem entrega dos setores estratégicos a estrangeiros; o Estado continuou central na política industrial.
Estratégia de prova: identifique palavras-chave históricas (período, atores, medidas econômicas) e confronte com o papel do Estado vs. capital estrangeiro em cada fase — elimine alternativas que misturam eventos fora de contexto.
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