A realização de uma pesquisa científica é dividida em determinadas partes. As hipóteses devem facilitar o
ensaio experimental. Todas as afirmativas abaixo são hipóteses. Analise-as e assinale a alternativa que
representa uma hipótese com as seguintes características:
• Hipótese definida.
• Sua comprovação ou negação acrescentará informação científica válida.
• Suscetível de comprovação experimental.
• Sem excesso de abrangência.
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa C
Tema central: elaboração de hipóteses científicas — critérios de boa hipótese: ser definida, testável (falsificável), agregar conhecimento e não ser excessivamente abrangente.
Resumo teórico: Uma hipótese científica deve prever resultados observáveis e mensuráveis; termos absolutos ou vagos enfraquecem sua testabilidade. Karl Popper introduziu o conceito de falsificabilidade como requisito para que uma hipótese seja científica (The Logic of Scientific Discovery, 1959). Para experimentos em saúde, também se recomenda especificar população, variável dependente, condição e tempo (ex.: “reduz a intensidade da cefaleia em X horas”).
Por que a alternativa C é correta: “O medicamento X é eficiente no combate a dores de cabeça decorrentes de má-digestão.” — apresenta escopo restrito (cefaleias com causa definida: má-digestão), é passível de verificação experimental (estudo clínico comparando pacientes com essa condição) e sua comprovação/negação agrega conhecimento útil e específico. Ou seja, atende aos critérios: definida, testável, informativa e sem excesso de abrangência.
Análise das alternativas incorretas:
A – “O medicamento X combate todos os tipos de dores de cabeça.” Errada: afirmação absoluta e muito abrangente (todos os tipos). Impossível testar completamente e carece de especificidade — além de vulnerável a contraprovas.
B – “O medicamento X é eficaz no combate à dor de cabeça.” Parcialmente testável, mas vaga: não especifica tipo de cefaleia, população, nem medida de eficácia (intensidade, duração, frequência). Hipótese pouco operacionalizável.
D – “O medicamento X é eficaz no combate à dor.” Demais abrangente: envolve qualquer dor (origens distintas). Falta delimitação e, portanto, perde valor científico para desenhar experimentos claros.
Dicas de interpretação (estratégia para provas):
- Procure especificidade: causa, população, variável dependente e prazo.
- Desconfie de termos absolutos (“todos”, “sempre”) e de enunciados muito gerais.
- Verifique testabilidade: imagine o experimento — é praticável? quais medições?
- Prefira hipóteses que, se refutadas, também agregam informação (falsificáveis).
Exemplo de formulação melhorada da alternativa C: “Em adultos com cefaleia associada a má-digestão, o medicamento X reduz a intensidade da dor em 50% nas primeiras 4 horas, comparado a placebo.”
Fontes sugeridas: Karl Popper – The Logic of Scientific Discovery; manuais de metodologia científica e protocolos clínicos (ex.: CONSORT para ensaios clínicos).
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!






