Questão 81559d23-31
Prova:PUC - Campinas 2015
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo, Escolas Literárias

O “espírito destruidor” que costuma atuar num movimento de vanguarda está presente e bem tipificado nesta formulação de um manifesto estético do Modernismo:

Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.

      Contraditoriamente, foi o patrocínio da fração mais europeizada da aristocracia rural de São Paulo, aberta às influências internacionais, que permitiu o florescimento das inovações estéticas. O café pesou mais do que as indústrias. Os velhos troncos paulistas, ameaçados em face da burguesia e da imigração, se juntaram aos artistas numa grande “orgia intelectual”, conforme a definição de Mário de Andrade. Segundo ele, “foi da proteção desses salões literários [promovidos pela aristocracia rural] que se alastrou pelo Brasil o espírito destruidor do movimento modernista.

(MARQUES, Ivan. Cenas de um modernismo de província. São Paulo: Editora 34, 2011, p. 11)

A
Das tuas águas tão verdes não havemos de nos afastar.
B
Sê como o sândalo, que perfuma o machado que o fere.
C
Ainda se rebelam na Hélade os engenheiros de nossa reconstrução.
D
Penetra surdamente no reino das palavras.
E
É preciso expulsar o espírito bragantino e as ordenações.

Gabarito comentado

P
Pâmela ArrudaMonitor com apoio de IA

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer, entre as alternativas, a única formulação com caráter manifesto, imperativo e de ruptura, exatamente como pede o enunciado ao mencionar o “espírito destruidor” de um “movimento de vanguarda” em “um manifesto estético do Modernismo”; por isso, a alternativa E é a correta.

Tema central: manifesto modernista de ruptura
Análise das alternativas
A
Errada
É incorreta porque o enunciado tem tom lírico-afetivo e afirma permanência e vínculo (“não havemos de nos afastar”), o que contraria o critério pedido pela questão: manifesto de vanguarda com impulso destruidor. Não há linguagem programática, nem ataque à tradição, nem gesto iconoclasta.
B
Errada
É incorreta porque se trata de formulação sentenciosa e moralizante, com estrutura de máxima ética. O problema não é a concisão, mas a natureza do enunciado: ele edifica e aconselha, em vez de romper, negar ou combater padrões culturais herdados, como faria um manifesto modernista destruidor.
C
Errada
É incorreta porque a referência à “Hélade” remete ao imaginário clássico e erudito, destoando do gesto de destruição programática do legado tradicional exigido pela questão. A dicção é alusiva e elevada, não manifestária nem agressivamente voltada à recusa do passado.
D
Errada
É incorreta porque, embora tenha dimensão metapoética, a formulação é introspectiva e reflexiva sobre a linguagem. Falta o elemento decisivo do enunciado: não há ataque explícito a convenções, instituições ou heranças culturais, nem estrutura de manifesto destruidor.
E
Certa
A alternativa E se sustenta porque formula diretamente um programa de negação: “É preciso expulsar...” tem estrutura imperativa e manifesta vontade de ruptura, e os alvos nomeados — “o espírito bragantino e as ordenações” — representam heranças históricas e culturais a serem rejeitadas. Isso corresponde ao “espírito destruidor” típico das vanguardas modernistas brasileiras de primeira fase, em que o manifesto atua como ataque programático às convenções herdadas.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre verso modernista ou linguagem poética densa, de um lado, e formulação manifesto-programática de vanguarda, de outro. O comando não pede apenas um texto do Modernismo, mas um enunciado que tipifique o “espírito destruidor”.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado mencionar “manifesto”, procure tom declaratório, imperativo e polêmico, não apenas poeticidade ou inovação verbal.
  • Se aparecer “espírito destruidor” ou “vanguarda”, elimine alternativas de teor lírico, moralizante ou apenas reflexivo.
  • Diferencie referência ao Brasil ou à linguagem poética de ataque programático ao passado: nacionalismo sozinho não basta.
  • Não dependa de reconhecer autor ou obra; primeiro identifique a função do enunciado: verso, reflexão, máxima ou manifesto.

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