Questão 78872a7d-26
Prova:PUC - SP 2011
Disciplina:Geografia
Assunto:Urbanização, Urbanização brasileira

“... nós estamos ingressando num mundo que não é mais aquele de territórios e lugares, mas um mundo de fluxos e redes. Isso não surpreenderá todos aqueles que refletem sobre as novas tecnologias e se interessam pela 'sociedade de redes' que não é mais uma simples ficção.”

Tendo em vista o texto e considerando as realidades urbanas pode-se dizer que:

A
as novas tecnologias, que funcionam em rede, não contam na localização das indústrias, pois essas ainda precisam situar-se nas grandes cidades.
B
esse novo mundo de redes apoiadas nas novas tecnologias levou várias atividades urbanas para fora das cidades.
C
as novas tecnologias localizam-se fundamentalmente nos núcleos densos das cidades, o que intensifica a aglomeração urbana.
D
comunidades conectadas por rede tecnológica, desenvolvendo atividades urbanas, representam uma realidade fantasiosa.
E
a aceleração dos fluxos de informações e de mercadorias propiciadas pelas redes é responsável pelo declínio da urbanização dos países avançados.

Gabarito comentado

P
Paula DelgadoMonitor do Qconcursos

Resposta correta: B

Tema central: as transformações da urbanização diante das redes tecnológicas e dos fluxos de informação e mercadorias. É preciso entender como tecnologia e conectividade reconfiguram localização de atividades urbanas, sem confundir descentralização com desaparecimento das cidades.

Resumo teórico: a chamada "sociedade em rede" (Castells) destaca que fluxos e conectividade ganham importância sobre os lugares físicos. Isso provoca processos de desconcentração e reconfiguração metropolitana (edge cities, parques tecnológicos, centros logísticos fora do núcleo). Ao mesmo tempo há aglomerações especializadas persistentes (clusters de tecnologia, centros financeiros) — ou seja, há simultaneamente dispersão e concentração seletiva (Castells, 1996; Sassen, 2001; UN-Habitat).

Justificativa da alternativa B: redes e novas tecnologias permitiram que muitas atividades urbanas fossem realocadas para além dos centros tradicionais — atendimento remoto, centros de distribuição, escritórios em bairros periféricos e municípios da região metropolitana. Exemplos práticos: call centers, back-offices, logística de e-commerce e parques industriais localizados em acessos rodoviários fora do centro urbano.

Análise das alternativas incorretas:

A — Incorreta. Afirma que redes não influenciam a localização industrial. Na realidade, tecnologias e conectividade mudam critérios: transporte e acesso a mercados continuam importantes, mas muitas firmas não exigem mais presença no centro; logística e informação permitem escolher locais fora das grandes cidades.

C — Incorreta. Embora haja concentração de certas tecnologias em núcleos densos (clusters), não é verdade que as novas tecnologias "se localizam fundamentalmente" somente nesses núcleos. A afirmação é absoluta e ignora processos de descentralização e polarização seletiva.

D — Incorreta. Comunidades conectadas por redes (comunidades virtuais, teletrabalho, redes de colaboração) são realidade empiricamente observável, não fantasia.

E — Incorreta. A aceleração de fluxos não tem levado ao declínio generalizado da urbanização nos países avançados; mudou-se a forma da urbanização (suburbanização, metropolização e regiões urbanas estendidas), mas a população urbana continua relevante (ver UN World Urbanization Prospects).

Dica para prova: desconfie de afirmações absolutas ("não contam", "fundamentalmente", "responsável pelo declínio"). Procure alternativas que reconheçam nuances: redes provocam deslocamentos e reconfigurações, não eliminação simples das cidades.

Fontes para aprofundar: Manuel Castells — A Era da Informação; Saskia Sassen — The Global City; UN-Habitat e UN World Urbanization Prospects.

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