Questão 74b0ebaa-b0
Prova:UNICENTRO 2010
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo, Escolas Literárias
Consolo na praia
Vamos, não chores.A infância está perdida.A mocidade está perdida.Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.O segundo amor passou.O terceiro amor passou.Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.Não tentaste qualquer viagem.Não possuis carro, navio, terra.Mas tens um cão.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Consolo na praia. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1989. p. 129.
Para o eu poético,
Consolo na praia
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Consolo na praia. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1989. p. 129.
Para o eu poético,
A
nada supera o amor.
B
a vida é feita de perdas.
C
tudo está perdido, menos a poesia.
D
apesar de tudo, ainda há razão para recomeçar.
E
a vida só vale a pena quando se tem um amigo.
Gabarito comentado
R
Rodolfo Brito Monitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a progressão semântica do poema, em que a enumeração de perdas é contraposta pelas adversativas de permanência em “Mas a vida não se perdeu”, “Mas o coração continua” e “Mas tens um cão”; somados ao imperativo “Vamos, não chores” e ao título “Consolo na praia”, esses elementos afastam a ideia de aniquilamento total e sustentam o gabarito D por indicarem consolo, continuidade e possibilidade de recomeço.
Tema central: consolo e permanência
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o poema não afirma que o amor supera tudo. Ao contrário, registra que “O primeiro amor passou. / O segundo amor passou. / O terceiro amor passou.” O foco do eu poético não é a supremacia do amor, mas a continuidade da vida e do coração apesar das perdas.
B
Errada
Está errada porque reduz o poema à enumeração das perdas e ignora o movimento decisivo introduzido por “mas”. O texto reconhece perdas, mas nega que elas esgotem o sentido da existência, como mostram “Mas a vida não se perdeu” e “Mas o coração continua”.
C
Errada
Está errada porque introduz um elemento ausente no trecho: a poesia não é apontada como o que resta. O poema afirma outras permanências de modo literal — “a vida”, “o coração” e “um cão” —, de modo que a alternativa contradiz o texto e projeta uma ideia sem base textual.
D
Certa
A alternativa D sintetiza fielmente o sentido dominante do poema. O eu poético reconhece perdas importantes, mas não conclui pelo aniquilamento: ao contrário, afirma explicitamente que “a vida não se perdeu” e que “o coração continua”. A repetição de “mas” marca a passagem da perda para a permanência, sustentando a leitura de que, apesar de tudo, ainda subsistem razões para seguir.
E
Errada
Está errada porque o poema diz justamente “Perdeste o melhor amigo”, portanto não sustenta que a vida só valha a pena quando se tem um amigo. Além disso, a alternativa cria uma condição exclusiva de sentido para a vida que o texto não formula.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de o candidato fixar-se apenas na lista de perdas e ignorar a reversão semântica produzida por “mas”, que desloca o sentido do poema para o consolo e a continuidade.
Dica para questões semelhantes
- Em poema interpretativo, identifique o sentido dominante do conjunto, não apenas os versos inicialmente mais negativos.
- Quando houver adversativa como “mas”, verifique se ela corrige a leitura anterior e redefine a tese do texto.
- Desconfie de alternativas com termos absolutos como “nada”, “tudo” e “só” quando o poema apresenta permanências parciais.
- Use título e verso de abertura como chave de leitura do tom, especialmente quando eles indicam consolo ou acolhimento.






