Considerando-se os processos de derivação de palavras, vê-se
que o eu lírico explora, para a produção de sentido no poema, a
derivação
Leia o poema de Manoel de Barros para responder à questão.
O que não sei fazer desmancho em frases.
Eu fiz o nada aparecer.
(Represente que o homem é um poço escuro.
Aqui de cima não se vê nada.
Mas quando se chega ao fundo do poço já se pode ver
o nada.)
Perder o nada é um empobrecimento.
(Livro sobre nada, 2002.)
Leia o poema de Manoel de Barros para responder à questão.
O que não sei fazer desmancho em frases.
Eu fiz o nada aparecer.
(Represente que o homem é um poço escuro.
Aqui de cima não se vê nada.
Mas quando se chega ao fundo do poço já se pode ver o nada.)
Perder o nada é um empobrecimento.
(Livro sobre nada, 2002.)
Gabarito comentado
Tema central: Formação de Palavras – Derivação Imprópria
Essa questão exige que o candidato reconheça processos de formação de palavras, especialmente a derivação imprópria. Esse processo morfológico consiste em uma palavra mudar de classe gramatical, sem sofrer alteração de forma, pela sua função no contexto da frase. Trata-se de um tema recorrente em provas e de domínio obrigatório, pois envolve análise tanto gramatical quanto interpretativa.
Alternativa correta: C) imprópria, com pronome indefinido empregado como substantivo: nada.
No poema, nada originalmente é pronome indefinido (indica ausência de coisa), mas, ao ser usado como núcleo do sentido (“Perder o nada é um empobrecimento”), assume papel de substantivo, representando um conceito. Segundo Cunha e Cintra, em Gramática do Português Contemporâneo, “a derivação imprópria é o processo em que uma palavra, sem sofrer alteração formal, passa a exercer função de outra classe”. Portanto, a correta identificação da função contextual do termo é primordial — momento típico de pegadinha em provas.
Análise das alternativas incorretas:
A) “desmancho” não resulta da sufixação de um substantivo, mas sim do verbo “desmanchar”, formado pelo prefixo “des-” + verbo “manchar”. Não é sufixação de substantivo para verbo.
B) “empobrecimento” é formado de pobre por prefixação (“em-”) e sufixação (“-mento”). Isso é derivação parassintética, não apenas por prefixação, como bem detalha Bechara (2009).
D) “Represente” vem do verbo “representar” (prefixo “re-” + verbo “presentar”), e não expressa ideia de sugestão, mas sim de repetição ou reforço.
E) “Aparecer” não é verbo formado parassinteticamente com base em substantivo; é verbo primitivo, ou seja, não se origina da junção simultânea de prefixo e sufixo a um substantivo.
Dica de prova: Palavras mudando de classe (como “nada” de pronome para substantivo ou “o útil” para substantivo) são típicas de derivação imprópria. Leia cuidadosamente a função da palavra no contexto, pois a forma permanece idêntica, apenas a classe muda!
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