Questão 6da231ad-d9
Prova:FASM 2014
Disciplina:Português
Assunto:Preposições, Morfologia

Considere as frases a seguir.

A calçada _______ que Dario se sentou ao passar mal ainda estava úmida da chuva.
O cachimbo _______ que Dario soprava fumaça ficou sobre o calçamento.
O motorista de táxi _______ quem as pessoas requisitaram ajuda questionou-as sobre o pagamento da corrida.
A farmácia _______ que pretendiam conduzir Dario era no fim do quarteirão.

As preposições que preenchem, respectivamente e de acordo com a norma-padrão, as frases são

Leia um trecho do conto Uma vela para Dario, do escritor curitibano Dalton Trevisan, para responder à questão.


    Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.
    Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque.
    Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da boca.
    Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.
    A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
    Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria.
    Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delícias da noite. Dario ficou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
    Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade.
    Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario. O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo – os bolsos vazios.

(Herberto Sales (org.). Antologia escolar de contos brasileiros, s/d. Adaptado.)

A
de – com – a – com.
B
em – a – de – em.
C
em – com – a – a.
D
a – para – em – a.
E
a – a – em – em.

Gabarito comentado

G
Geraldo Bastos Monitor do Qconcursos

Tema central da questão: A questão avalia o domínio do candidato sobre regência verbal e o uso correto das preposições exigidas pelos verbos nas construções propostas, respeitando a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Justificativa da alternativa correta (C):

1. Sentar-se em: Pela norma-padrão, utiliza-se a preposição “em” para indicar o local de acomodação (sentou-se em uma cadeira). Assim: “A calçada em que Dario se sentou…”.

2. Soprar com: Quando Dario sopra fumaça, faz isso com um instrumento (no caso, o cachimbo). Portanto: “O cachimbo com que Dario soprava fumaça…”.

3. Requisitar a: Requisitar ajuda a alguém está correto pela regência do verbo quando o complemento é uma pessoa. Exemplo: “requisitar ajuda a um médico”.

4. Conduzir a: Quanto ao destino, “conduzir a algum lugar”. Exemplo: “conduzir alguém a um hospital”.

Logo, a alternativa correta é: C) em – com – a – a.

Por que as demais estão incorretas:

A) de – com – a – com: “De que Dario se sentou” é inadequado (o certo é em que); “com” em “conduzir com” não estabelece o destino.

B) em – a – de – em: “a que Dario soprava fumaça” não está correto (fumaça se sopra com o cachimbo); “de quem as pessoas requisitaram ajuda” não é padrão (espera-se “a quem”).

D) a – para – em – a: “a que Dario se sentou” é incorreto, pois é local; e “soprar para” sugere destinatário, não instrumento.

E) a – a – em – em: Novamente, “a que se sentou” está errado para local, e “em que pretendiam conduzir Dario” foge ao uso da preposição adequada para destino.

Regra de ouro para concursos: Sempre atente para a regência dos verbos e a preposição exigida, consultando fontes confiáveis como Evanildo Bechara, Celso Cunha & Lindley Cintra, e o Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa de Cegalla. Pequenas mudanças na preposição podem alterar o sentido ou trazer erro de concordância com a norma culta.

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