Questão 36a67c39-b7
Prova:UEPB 2010
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo, Escolas Literárias
Mario de Andrade assumiu uma perfeita “atitude antropofágica” sem estar completamente integrado no movimento de Oswald de Andrade.
Encontrando a antropofagia na mitologia do índio, acolhe-a no romance, dá-lhe função simbólica, mas não a transforma na razão norteadora.
A diferença básica e mais importante entre o livro e o filme é, portanto, que o canibalismo é a “razão norteadora” do filme, não, porém, do livro.
Seria mais preciso dizer que o filme é Mário de Andrade e Oswald de Andrade “revistos” por Joaquim Pedro de Andrade à luz da situação
sócio-econômica e política enfrentada pelo Brasil nos anos 60.
JOHNSON. R. Cinema e literatura. Macunaíma: do modernismo na literatura ao cinema novo. São Paulo: T.A.Queiroz, 1987 (adaptado).
Com base no fragmento acima do crítico de cinema Randal Johnson sobre o filme Macunaíma, NÃO é verdadeiro afirmar:
Mario de Andrade assumiu uma perfeita “atitude antropofágica” sem estar completamente integrado no movimento de Oswald de Andrade.
Encontrando a antropofagia na mitologia do índio, acolhe-a no romance, dá-lhe função simbólica, mas não a transforma na razão norteadora.
A diferença básica e mais importante entre o livro e o filme é, portanto, que o canibalismo é a “razão norteadora” do filme, não, porém, do livro.
Seria mais preciso dizer que o filme é Mário de Andrade e Oswald de Andrade “revistos” por Joaquim Pedro de Andrade à luz da situação
sócio-econômica e política enfrentada pelo Brasil nos anos 60.
JOHNSON. R. Cinema e literatura. Macunaíma: do modernismo na literatura ao cinema novo. São Paulo: T.A.Queiroz, 1987 (adaptado).
Com base no fragmento acima do crítico de cinema Randal Johnson sobre o filme Macunaíma, NÃO é verdadeiro afirmar:
A
Trata-se de uma recusa do projeto estético do modernismo, principalmente da antropofagia de Oswald de Andrade e do caráter social do
romance regionalista de 30, em busca de uma retomada alegórica dos grandes momentos da pornochanchada.
B
Releitura crítica da antropofagia e do modernismo brasileiro que introduz elementos da chanchada, simbolizados no filme pelo ator Grande
Otelo, e do Tropicalismo, visível nos cenários e nos figurinos
C
Atualização do projeto do modernismo, sobretudo dos manifestos de Oswald de Andrade e do romance de 30, articulando-os ao contexto
brasileiro dos anos 60.
D
O contexto da ditatura militar brasileira e da resistência armada, bem como ecos dos movimentos civis e da juventude que culminaram com
o maio de 68 em diversos países,inclusive no Brasil, são metaforizados no filme pela personagem Ci, representada pela atriz Dina Sfat,
guerrilheira e amante do herói, com quem tem um filho.
E
Os diversos papéis representados pelos atores Grande Otelo (Macunaíma criança e filho de Macunaíma), e Paulo José (mãe de Macunaíma,
príncipe e Macunaíma adulto) remetem à pluralidade identitária do herói, já presente no livro de Mario de Andrade.
Gabarito comentado
V
Vitor Santana Monitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é que o fragmento define o filme como revisão de Mário de Andrade e Oswald de Andrade “à luz da situação sócio-econômica e política enfrentada pelo Brasil nos anos 60”, com o canibalismo como “razão norteadora” do filme; por isso, deve ser marcada a alternativa que contraria essa chave interpretativa.
Tema central: Macunaíma e modernismo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única incompatível com o texto-base porque afirma “recusa do projeto estético do modernismo”, quando o fragmento sustenta exatamente o contrário: o filme revisita Mário de Andrade e Oswald de Andrade e intensifica a antropofagia ao fazer do canibalismo sua “razão norteadora”. Além disso, ao propor “retomada alegórica dos grandes momentos da pornochanchada” como eixo estético, a alternativa substitui o fundamento central indicado no enunciado — modernismo, antropofagia e contexto político-cultural dos anos 60 — por uma referência inadequada.
B
Errada
Não há erro a eliminar. A alternativa é compatível com a ideia de releitura crítica da antropofagia e do modernismo brasileiro, em diálogo com elementos culturais dos anos 60. O critério decisivo aqui é a compatibilidade com a noção de que o filme apresenta Mário e Oswald “revistos” no contexto histórico-cultural da década.
C
Errada
Não há erro a eliminar. A alternativa corresponde ao núcleo do fragmento ao apresentar o filme como atualização do projeto modernista articulada ao contexto brasileiro dos anos 60. Isso decorre diretamente da formulação de que o filme revê Mário e Oswald “à luz da situação sócio-econômica e política” da época.
D
Errada
Não há erro a eliminar. A alternativa é compatível com a chave de leitura político-social autorizada pelo enunciado, que vincula o filme à situação brasileira dos anos 60. Embora traga detalhamento histórico maior que o fragmento, não contraria o fundamento central da questão.
E
Errada
Não há erro a eliminar. A alternativa é coerente com a pluralidade identitária de Macunaíma já presente no romance e com sua tradução cinematográfica. O ponto decisivo é que essa leitura não contraria o eixo interpretativo do fragmento.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre releitura crítica do modernismo e recusa do modernismo: como o filme radicaliza a antropofagia e incorpora elementos de cultura de massa, o candidato pode achar que houve abandono do projeto modernista, quando o texto diz que há revisão e atualização desse projeto.
Dica para questões semelhantes
- Em questões com “NÃO é verdadeiro”, primeiro fixe a tese explícita do texto-base e elimine a alternativa que a contradiz frontalmente.
- Quando o enunciado usa expressões como “revistos”, “à luz de” e “razão norteadora”, trate-as como eixo interpretativo obrigatório.
- Distingua intensificação de rejeição: tornar um elemento central no filme não significa abandonar a matriz estética de origem.
- Desconfie de alternativas que trocam o núcleo histórico-estético dado no texto por outro eixo interpretativo não sustentado pela base.






