Entre os propósitos renovadores instaurados pela Semana de
Arte Moderna de 1922, flagra-se, no poema de Drummond, a
Essas coisas
“Você não está mais na idade
de sofrer por essas coisas.”
Há então a idade de sofrer
e a de não sofrer mais
por essas, essas coisas?
As coisas só deviam acontecer
para fazer sofrer
na idade própria de sofrer?
Ou não se devia sofrer
pelas coisas que causam sofrimento,
pois vieram fora de hora, e a hora é calma?
E, se não estou mais na idade de sofrer,
é porque estou morto, e morto
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?
(Carlos Drummond de Andrade. As impurezas do branco, 2012)
Essas coisas
“Você não está mais na idade
de sofrer por essas coisas.”
Há então a idade de sofrer
e a de não sofrer mais
por essas, essas coisas?
As coisas só deviam acontecer
para fazer sofrer
na idade própria de sofrer?
Ou não se devia sofrer
pelas coisas que causam sofrimento,
pois vieram fora de hora, e a hora é calma?
E, se não estou mais na idade de sofrer,
é porque estou morto, e morto
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?
(Carlos Drummond de Andrade. As impurezas do branco, 2012)
Gabarito comentado
Tema central: A questão aborda as inovações do Modernismo brasileiro, iniciadas com a Semana de Arte Moderna de 1922, especialmente no que diz respeito à forma poética utilizada por Carlos Drummond de Andrade.
Conceitos essenciais:
O Modernismo brasileiro rompeu com o modelo parnasiano, rejeitando formas rígidas e privilegiando a liberdade formal e a expressão subjetiva. Uma das marcas mais claras dessas mudanças é o verso livre, ou seja, versos que não seguem métrica nem rima regulares, permitindo maior espontaneidade na linguagem poética.
Justificativa – Alternativa Correta (D):
Adoção do verso livre – O poema de Drummond, como se observa, não possui padrões fixos de rima ou métrica. Esse procedimento expressivo é fruto dos propósitos inovadores proclamados em 1922, facilitando a comunicação de estados subjetivos e reflexões existenciais. Versos livres são facilmente reconhecidos pela irregularidade no tamanho e pela ausência de musicalidade convencional. Assim, a alternativa D traduz corretamente esse traço modernista.
Análise das Alternativas Incorretas:
A) Preocupação com aspectos formais: Incorreta, pois o Modernismo se opõe justamente à rigidez formal.
B) Subversão da norma linguística: Apesar de ser uma marca possível do Modernismo, neste poema não há ruptura marcante com as regras da língua padrão.
C) Valorização do elemento nacional: O texto não trabalha folclore, paisagem ou identidade brasileira, mas reflexões universais e subjetivas.
E) Temática social: O enfoque aqui é existencial, não social ou coletivo.
Estratégia de resolução: Perceba o formato do poema: a ausência de rimas e a diversidade de extensão dos versos são indícios claros do verso livre. Evite confundir liberdade formal com outras características modernistas, atentando sempre ao que é solicitado no enunciado.
Compreender as principais inovações modernistas e saber reconhecê-las em trechos poéticos é fundamental para esse tipo de cobrança, comum em vestibulares e concursos.
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