Questão 134ef399-ec
Prova:CÁSPER LÍBERO 2010
Disciplina:Literatura
Assunto:Modernismo, Escolas Literárias
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente os versos do poema Os sapos,
que integra a coletânea 50 poemas escolhidos pelo autor, de Manuel Bandeira,
apresentados a seguir:
(...)
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas...”
(...)
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente os versos do poema Os sapos,
que integra a coletânea 50 poemas escolhidos pelo autor, de Manuel Bandeira,
apresentados a seguir:
(...)
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas...”
(...)
A
A poesia de evasão, em Bandeira, nasce da fadiga do poeta diante das pressões da vida
comum. A saída, então, é encontrar refúgio em um mundo de realidades bem diferentes das
que são oferecidas pela vida cotidiana, deixando-se levar pelo embalo da fantasia.
B
Uma vez que não dominava perfeitamente a métrica – característica comum a todos os
modernistas –, Bandeira optou por fazer do verso livre sua plataforma estética para, a partir
daí, criticar a poesia tradicional, renegando as formas fixas.
C
A poesia satírica de Bandeira aponta para uma preocupação excessiva com os elementos
alegóricos de fundo espiritual, que interferem no jogo do nonsense com o propósito de
disfarçar o ataque à hipocrisia.
D
A poesia de Bandeira opta pelo caminho do humor com o intuito de tentar resgatar o
universo de sua infância, criando, assim, uma espécie de obsessão por essa fase de sua vida.
E
Bem-humorado, o poeta parodia a “Profissão de fé” (de Olavo Bilac), hostiliza a eloquência oca
e o desaparecimento da poesia, investindo contra o estado de penúria a que a haviam reduzido.
Gabarito comentado
E
Elisa Pontes Monitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer que o excerto de "Os sapos" tematiza e ridiculariza procedimentos técnicos e vícios formais associados ao Parnasianismo, em chave paródica e satírica, com marcas textuais como "Parnasiano aguado", "É bem martelado", "Em comer os hiatos", "Consoantes de apoio", "A fôrmas a forma" e "Não há mais poesia, / Mas há artes poéticas"; por isso, o poema invalida as alternativas que o afastam dessa crítica ao formalismo vazio.
Tema central: sátira antiparnasiana
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca a leitura para a poesia de evasão, quando o excerto apresentado é satírico e metapoético. O critério de exclusão é temático e textual: os versos não tratam de fuga da vida cotidiana pela fantasia, mas de ataque ao formalismo parnasiano, explicitado em "Parnasiano aguado" e na enumeração de tecnicismos poéticos.
B
Errada
Está errada porque afirma falsamente que Bandeira não dominava perfeitamente a métrica e generaliza indevidamente essa suposta limitação a "todos os modernistas". A crítica à poesia tradicional em "Os sapos" não decorre de incompetência técnica, mas de recusa estética ao formalismo vazio.
C
Errada
Está errada porque atribui ao excerto uma estrutura de "elementos alegóricos de fundo espiritual" e de "nonsense" que não corresponde ao que os versos efetivamente fazem. A sátira aqui é direta, histórica e metapoética, voltada contra o preciosismo técnico do Parnasianismo.
D
Errada
Está errada porque relaciona o humor do poema ao resgate da infância, tema que pode existir em outras partes da obra de Bandeira, mas não caracteriza este poema. No excerto, o humor serve à crítica estética e histórica do Parnasianismo, não à rememoração obsessiva da infância.
E
Certa
A alternativa E está correta porque identifica o caráter bem-humorado, paródico e satírico do poema, que hostiliza a eloquência oca e a redução da poesia a artifícios formais. A referência a "Profissão de fé" funciona como apoio à leitura da tradição parnasiana, mas o ponto central, conforme os versos citados, é a crítica ao culto técnico da métrica, da rima e da forma, culminando em "Não há mais poesia, / Mas há artes poéticas".
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre características gerais da obra de Manuel Bandeira e a caracterização específica de "Os sapos": o candidato que ignora as marcas textuais do ataque ao Parnasianismo pode ser desviado para temas reais do autor, como evasão ou infância, ou ainda para a falsa ideia de que verso livre decorre de incapacidade técnica.
Dica para questões semelhantes
- Quando o poema nomeia o alvo, como em "Parnasiano aguado", use esse dado como eixo principal da resolução.
- Se o texto enumera regras, tecnicismos e procedimentos de composição, verifique se eles estão sendo exaltados ou ridicularizados.
- Não transfira para o poema específico temas gerais do autor sem apoio explícito no excerto.
- Em questões sobre Modernismo, não confunda escolha estética pelo verso livre com falta de domínio técnico.






