Embora pobre em jazidas de carvão mineral, a
Inglaterra manteve intacta a sua supremacia
econômica na segunda revolução industrial. A
desvantagem energética foi compensada pela
eficiente marinha mercante inglesa, que
garantiu fretes baratos para a importação de
carvão mineral de outras regiões produtoras.
Dependendo de suas formas de intercâmbio e do
seu conhecimento sobre a natureza, as sociedades
humanas têm feito uso de variadas fontes de
energia ao longo da história. A esse respeito,
assinale o que for correto.
Gabarito comentado
Alternativa correta: E — Errado
Tema central: Industrialização e recursos energéticos no século XIX — em especial o papel do carvão e da marinha mercante no desenvolvimento da Inglaterra durante a Segunda Revolução Industrial (aprox. 1870–1914).
Resumo teórico: A Revolução Industrial dependia fortemente do carvão como fonte primária de energia para máquinas a vapor, siderurgia e transportes. A Segunda Revolução introduziu também aço, eletricidade e petróleo, mas o carvão continuou central na economia britânica. Obras clássicas como The Unbound Prometheus (Landes) e The Great Divergence (Pomeranz) confirmam a abundância e importância do carvão britânico no período.
Por que a afirmativa é errada?
1) Fato incorreto: afirmar que a Inglaterra era “pobre em jazidas de carvão” é falso. O Reino Unido dispunha de vastas reservas no Nordeste, Midlands, Yorkshire e Sul de Gales, que foram determinantes desde a Primeira Revolução Industrial e permaneceram relevantes no século XIX.
2) Consequência lógica falha: a ideia de que uma eficiente marinha mercante compensou a falta de carvão não procede porque não houve tal falta. Mesmo que o comércio marítimo reduzisse custos, o custo e a logística de transportar grandes volumes de carvão para a indústria local tornariam essa “compensação” insuficiente se as reservas internas fossem realmente escassas.
3) Contexto histórico: a supremacia britânica começou a ser contestada por Alemanha e EUA devido a inovações e maior integração vertical dessas economias, não por carência de carvão. A marinha mercante foi um fator de poder, mas não a explicação de uma compensação por inexistente escassez de carvão (ver Landes; Pomeranz).
Estratégia de prova (dica prática): desconfie de afirmações absolutas sobre “pobreza” de recursos em países-chave da industrialização. Verifique: (a) evidência geográfica de jazidas; (b) papel histórico da fonte de energia; (c) se a explicação é causal ou apenas correlacional.
Referências indicativas: David Landes, The Unbound Prometheus; Kenneth Pomeranz, The Great Divergence.
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