Questõesde UFGD 2016 sobre Português

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Foram encontradas 14 questões
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UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Redação - Reescritura de texto

A invenção do pau de selfie
O primeiro pau de selfie foi criado nos anos 1980 pelo japonês Hiroshi Ueda. Na época, ele trabalhava como engenheiro na fabricante de câmeras Minolta e tinha a fotografia como hobby. "Sempre que ia para o exterior, levava minha máquina e tirava um monte de fotos", diz ele. Quando estava na Europa, Ueda se deparou com um dilema: queria muito tirar fotos de si e de sua mulher, mas não confiava em dar o equipamento para qualquer pessoa que passasse na rua.
"Estava no museu do Louvre, em Paris, e pedi a uma criança para nos fotografar. Quando me afastei, ela saiu correndo com a câmera", relembra. Era um problema comum que precisava ser solucionado, e Ueda tinha o perfil certo para a tarefa.
Ele criou um "extensor" ─ uma vara que podia ser alongada e na qual podia ser acoplada uma câmera nova e menor do que as existentes até então. Ele acrescentou um espelho na frente da câmera para que o fotógrafo pudesse ver o que estava clicando.
O conceito enfrentou certa resistência. O departamento de testes da Minolta chegou à conclusão que mulheres tinham vergonha de fotografar a si mesmas. "A ideia do autorretrato era algo muito novo naquela época", diz Ueda.
O extensor foi patenteado em 1983, mas, para a decepção de Ueda, não foi um sucesso de vendas: "A qualidade da foto não era muito boa". Ele não perdeu a fé em sua invenção. "Uso o tempo todo. Mesmo há 30 anos, quando o produto parou de ser vendido, eu sempre levei uma câmera de bolso e um extensor comigo", ele diz. "Era como uma continuação do meu braço."
A patente de Ueda expirou em 2003, ao menos uma década antes da recente explosão de popularidade do pau de selfie.
Adaptado de Venema, Vibeke. A invenção (e a reinvenção) do 'pau de selfie'. BBC Brasil, 2015.

O trecho: “Ele criou um "extensor" ─ uma vara que podia ser alongada e na qual podia ser acoplada uma câmera nova e menor do que as existentes até então. Ele acrescentou um espelho na frente da câmera para que o fotógrafo pudesse ver o que estava clicando.” pode ser parafraseado da seguinte forma.

A
O inventor concebeu uma haste extensível na qual era possível encaixar uma câmera relativamente menor que as fabricadas na época. Um espelho frontal foi incluído, o que permitia ao fotógrafo visualizar seu tema enquanto fotografava.
B
Ueda criou um braço flexível em forma de vara que incluia uma câmera espelhada que permitia ao fotógrafo ver e tirar uma foto de si mesmo sem se preocupar em pedir ajuda a ninguém
C
Ao criar um bastão extêncil, Ueda previu uma espécie de tripé com uma câmera em miniatura na ponta, a qual, por sua vez, era acionada por meio de um reflexo que produzia a imagem do fotógrafo ao lado daquilo que pretendia registrar, tudo isso ao alcance de um clique.
D
O estertor de Ueda era uma pau intercambiável em que se acoplava uma máquina fotográfica de última geração, menor que as demais, capaz de reproduzir a imagem do fotógrafo utilizando um espelho.
E
Ao clicar em um botão na extremidade inferior da vara inventada por ele, Ueda podia produzir uma foto de si mesmo. O fenômeno se dava por intermédio de um aparelho fotográfico fixado no lado oposto do mecanismo. Para se assegurar da qualidade da foto, o autor recorria a um aparato reflexivo colocado em sua frente pelo inventor.
8b513a4f-b0
UFGD 2016 - Português - Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação, Morfologia

Assinale a alternativa em que todas as palavras são formadas por derivação sufixal:

Texto para a questão.

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra
E após fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!”

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual num sonho dantesco as sombras voam!
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
ALVES, Castro. Navio Negreiro. Editora Virtual Books Online M&M Editores
Ltda: 2000. (Canto IV)
A
dantesco, embrutecer, enlouquecer.
B
dantesco, nevoeiro, marinheiro.
C
embrutecer, enlouquecer, avermelhar.
D
desdobrar, ressoar, delirar.
E
fantástico, irônico, enlouquecer.
8b4aeb43-b0
UFGD 2016 - Português - Morfologia

Assinale a alternativa na qual as palavras que rimam pertencem a classes gramaticais diferentes:

Texto para a questão.

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra
E após fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!”

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual num sonho dantesco as sombras voam!
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
ALVES, Castro. Navio Negreiro. Editora Virtual Books Online M&M Editores
Ltda: 2000. (Canto IV)
A
voam / ressoam.
B
enlouquece / embrutece.

C
açoite / noite.
D
manobra / desdobra.

E
espirais / Satanás.
8b46b895-b0
UFGD 2016 - Português - Interjeições, Termos essenciais da oração: Sujeito e Predicado, Sintaxe, Morfologia

Considere as seguintes afirmações:

I – O sujeito de “rega” (terceiro verso da segunda estrofe) é “o sangue das mães”.
II – A palavra “ais” (quinto verso da última estrofe) é uma interjeição empregada em função de substantivo.
III – As formas verbais “Vibrai” e “Fazei” (quinto e sexto versos da penúltima estrofe) são formas da segunda pessoa do singular do imperativo.
IV – O sujeito de “Diz” (quarto verso da penúltima estrofe) é “o mar”.

Texto para a questão.

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra
E após fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!”

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual num sonho dantesco as sombras voam!
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
ALVES, Castro. Navio Negreiro. Editora Virtual Books Online M&M Editores
Ltda: 2000. (Canto IV)
A
Apenas a afirmativa I é verdadeira.
B
Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
C
Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
D
Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
E
Todas as afirmativas são verdadeiras.
8b42fc34-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Ao chegar pediu o coronel que lhe dessem água do Apa e, ou porque lhe vissem à mente vagas reminiscências históricas, a propósito de caudais célebres, ou porque, após tanto abalo de espírito, experimentasse como que uma agitação febril, disse sorrindo: “Notemos a que hora provamos a água deste rio.” Puxou o relógio, bebeu e acrescentou a gracejar: “Desejo que este incidente seja consignado na história desta expedição, se algum dia a escreverem.” Pareceu empenhado que se lhe fizesse uma promessa em tal sentido. Foi o autor desta narrativa quem, em nome de todos, a tanto se comprometeu, e hoje o cumpre com religiosa exação porque a morte, de que estava o nosso chefe tão próximo, sabe, pela própria natureza enigmática, tudo enobrecer, tudo absolver e consagrar. É neste ponto o Apa correntoso; mas as grandes lajes que lhe calçam o leito como que convidam a entrar em suas belas águas. Foi o que fizeram muitos soldados; passaram vários para a outra margem a dizer que iam conquistar o Paraguai (TAUNAY, 2006, p. 74-75).

Em relação ao trecho transcrito de Taunay, considerem-se as seguintes afirmações:
I – O coronel morreria pouco tempo depois do fato narrado no trecho.
II – Taunay se comprometeu perante o coronel a narrar esse incidente posteriormente.
III – O coronel se encontrava num ponto do rio em que a sua correnteza é caudalosa.

A
Apenas as afirmações I e II estão corretas
B
Apenas as afirmações II e III estão corretas
C
Apenas as afirmações I e III estão corretas
D
Todas as afirmações estão corretas.
E
Nenhuma afirmação está correta.
8b3d03bf-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Uso dos conectivos, Coesão e coerência, Sintaxe, Redação - Reescritura de texto

Ao final da peça “Quase ministro”, o personagem Silveira narra uma história que é uma espécie de alegoria de tudo o que aconteceu anteriormente na peça:

SILVEIRA Mas esperem: onde vão? Ouçam ao menos uma história. É pequena, mas conceituosa. Um dia anunciou-se um suplício. Toda gente correu a ver o espetáculo feroz. Ninguém ficou em casa: velhos, moços, homens, mulheres, crianças, tudo invadiu a praça destinada à execução. Mas, porque viesse o perdão à última hora, o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia. Mais ainda: o enforcado, isto é, o condenado, foi em pessoa à praça pública dizer que estava salvo e confundir com o povo as lágrimas de satisfação. Houve um rumor geral, depois um grito, mais dez, mais cem, mais mil romperam de todos os ângulos da praça, e uma chuva de pedras deu ao condenado a morte de que o salvara a real clemência.
ASSIS, Machado de. Quase Ministro. In: Teatro de Machado de Assis. Org. João Roberto Faria. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 26.

O período “Mas, porque viesse o perdão à última hora, o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia” pode ser mais adequadamente parafraseado, sem prejuízo das relações de causa e consequência originais, por:

A
Mas, como o perdão veio à última hora, o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia.
B
Mas, embora o perdão viesse à última hora, o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia.
C
Mas, se o perdão viesse à última hora, o espetáculo não se daria e a forca ficaria vazia.
D
Mas, quando o perdão veio à última hora, o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia.
E
O perdão veio à última hora, mas o espetáculo não se deu e a forca ficou vazia.
8b3a0c63-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia

No trecho “Em teatro, são criminosos os elencos cuja preocupação principal consiste em quitandeiramente ganhar alguns cobres servindo aos apetites mais rasteiros das plateias tranquilas (...)” o termo “quitandeiramente” se refere a:

Texto para a questão.

O Repertório e o Mercado 

O repertório de obras de arte atualmente servido ao público está deteriorado. Grande é o número de artistas que finge ignorar este fato: esta ignorância, verdadeira ou fingida, é crime. Em teatro, são criminosos os elencos cuja preocupação principal consiste em quitandeiramente ganhar alguns cobres servindo aos apetites mais rasteiros das plateias tranquilas; são criminosos todos aqueles que servilmente ficam atentos à última moda parisiense, ao último lançamento londrino, isto é, aqueles que renunciam à sua cidadania artística brasileira e se transformam em repetidores da arte alheia; são criminosos aqueles que apresentam sempre e apenas visões róseas do mundo através de universos feéricos das peças de boulevard, ou do psicologismo anglo-saxônico que tende a reduzir os mais graves problemas sociais e políticos a desajustes neuróticos de uns poucos cidadãos. 
São criminosos os fabricantes irresponsáveis de comedietas idiotas que, segundo a publicidade, “até parecem italianas." Estes são criminosos e não são artistas porque arte é sempre a manifestação sensorial da verdade e não estará dizendo a verdade o artista que constantemente ignore a guerra de genocídio do Vietnã, que ignore o lento assassinato pela fome de milhões de brasileiros no Norte, no Sul, no Centro, no Nordeste e no Centro-Oeste—estas são verdades nacionais e humanas que nenhuma mensagem presidencial, por mais esperta que seja, fará esquecer. Por que são tantos os grupos teatrais que se dedicam ao teatro apodrecido, ao teatro da mentira, corruptor? Tirante os pulhas por convicção, existem também os pulhas por comodismo. Os primeiros acreditam na conquista do mercado ainda que para isso seja necessário produzir "sob medida" para o rápido consumo. (...) O mercado é o demiurgo da arte—este lugar comum já foi destruído (...) entre o artista e o consumidor, numa sociedade capitalista, insere-se o mediador-capital, o mediado-patrocinador. O dinheiro, este sim, é o verdadeiro demiurgo do gosto artístico posto em prática.
O mercado consumidor de teatro é, em última análise, o fator determinante do conteúdo e da forma da obra de arte, da arte-mercadoria. E esse mercado, nos principais centros urbanos do país, é formado pela alta classe média, e daí para cima. O povo e a sua temática estão aprioristicamente excluídos. Este fato grave tem deformado a perspectiva criadora da maioria dos nossos artistas, que se atrelam aos desejos mais imediatos de "corte burguesa," da qual se tornam servis palhaços, praticando um teatro de classe, isto é, um teatro da classe proprietária, da classe opressora. A consequência lógica é uma arte de opressão.

Adaptado de BOAL, Augusto. “Que Pensa Você da Arte de Esquerda?”. Latin American Theatre Review. Primavera de 1970, p. 46-47.
A
Um estilo de vida preocupado com o consumo de alimentos orgânicos.
B
Um modo de agir de forma oportunista.
C
Um tempo em que os artistas sofriam menos com a censura de suas obras.
D
Uma nacionalidade específica.
E
Um delito caracterizado pelo código penal vigente na época.
8b35acba-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Assinale a alternativa incorreta quanto à interpretação do texto acima:

Texto para a questão.

O Repertório e o Mercado 

O repertório de obras de arte atualmente servido ao público está deteriorado. Grande é o número de artistas que finge ignorar este fato: esta ignorância, verdadeira ou fingida, é crime. Em teatro, são criminosos os elencos cuja preocupação principal consiste em quitandeiramente ganhar alguns cobres servindo aos apetites mais rasteiros das plateias tranquilas; são criminosos todos aqueles que servilmente ficam atentos à última moda parisiense, ao último lançamento londrino, isto é, aqueles que renunciam à sua cidadania artística brasileira e se transformam em repetidores da arte alheia; são criminosos aqueles que apresentam sempre e apenas visões róseas do mundo através de universos feéricos das peças de boulevard, ou do psicologismo anglo-saxônico que tende a reduzir os mais graves problemas sociais e políticos a desajustes neuróticos de uns poucos cidadãos. 
São criminosos os fabricantes irresponsáveis de comedietas idiotas que, segundo a publicidade, “até parecem italianas." Estes são criminosos e não são artistas porque arte é sempre a manifestação sensorial da verdade e não estará dizendo a verdade o artista que constantemente ignore a guerra de genocídio do Vietnã, que ignore o lento assassinato pela fome de milhões de brasileiros no Norte, no Sul, no Centro, no Nordeste e no Centro-Oeste—estas são verdades nacionais e humanas que nenhuma mensagem presidencial, por mais esperta que seja, fará esquecer. Por que são tantos os grupos teatrais que se dedicam ao teatro apodrecido, ao teatro da mentira, corruptor? Tirante os pulhas por convicção, existem também os pulhas por comodismo. Os primeiros acreditam na conquista do mercado ainda que para isso seja necessário produzir "sob medida" para o rápido consumo. (...) O mercado é o demiurgo da arte—este lugar comum já foi destruído (...) entre o artista e o consumidor, numa sociedade capitalista, insere-se o mediador-capital, o mediado-patrocinador. O dinheiro, este sim, é o verdadeiro demiurgo do gosto artístico posto em prática.
O mercado consumidor de teatro é, em última análise, o fator determinante do conteúdo e da forma da obra de arte, da arte-mercadoria. E esse mercado, nos principais centros urbanos do país, é formado pela alta classe média, e daí para cima. O povo e a sua temática estão aprioristicamente excluídos. Este fato grave tem deformado a perspectiva criadora da maioria dos nossos artistas, que se atrelam aos desejos mais imediatos de "corte burguesa," da qual se tornam servis palhaços, praticando um teatro de classe, isto é, um teatro da classe proprietária, da classe opressora. A consequência lógica é uma arte de opressão.

Adaptado de BOAL, Augusto. “Que Pensa Você da Arte de Esquerda?”. Latin American Theatre Review. Primavera de 1970, p. 46-47.
A
O autor elabora um juízo de valor a respeito do teatro de sua época, atribuindo a razão de certa decadência estética à submissão dos grupos ao mercado.
B
O autor denuncia um determinado comportamento de alguns artistas e produtores de arte, os quais considera acomodados ou coniventes com um sistema elitista.
C
O mercado , segundo o autor, e o dinheiro em última análise, são os responsáveis por aquilo que é apresentado nos palcos, o que termina por moldar o gosto do público.
D
Para o autor, os crimes cometidos pelos artistas, no âmbito das companhias teatrais, devem ser punidos de forma exemplar para que não ocorram mais episódios de opressão, censura ou corrupção em todas as regiões do país. 
E
A tese defendida pelo autor é a de que a liberdade de criação em um sistema gerido por interesses burgueses é bastante limitada, oprimida.
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UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Leia a seguinte tirinha do humorista/ cartunista Quino:


Assinale a alternativa que melhor discute o efeito de humor contido na tirinha:

A
Mafalda, criação do cartunista argentino Quino, é conhecida por suas opiniões ácidas e críticas sobre os mais variados assuntos. O efeito de humor da tirinha está todo centrado nos recursos linguísticos.
B
Na tirinha acima o efeito de sentido é provocado pela combinação de informações visuais e recursos linguísticos.
C
A linguagem verbal não contribui para o melhor entendimento da tirinha, pois todo o efeito de humor está contido na linguagem não verbal por meio da expressão exibida por Mafalda no último quadrinho.
D
As alternativas ‘A’,’B’ e ‘C’ estão corretas.
E
As alternativas ‘A’,’B’ e ‘C’ não estão corretas.
8b2d2137-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Sobre o filme O menino e o Mundo podemos afirmar, exceto que:

A
Os traços desta animação brasileira sugerem a ingenuidade, a infantilidade. O personagem principal é desenhado com um rabisco simples, em 2D, sobre espaços brancos remetendo a folhas de papel. A evolução do cinema animado tem sido cada vez mais associada ao desenvolvimento tecnológico.
B
Com um ritmo agradável, o diretor de O Menino e o Mundo dedica-se a representar de maneira lúdica os espaços e as configurações do mundo contemporâneo: a exploração dos agricultores, a falência das fábricas, a tristeza dos tecelões, a precariedade dos artistas de rua, a falta de estrutura nas comunidades carentes, o regime militar. Tudo é retratado de modo a misturar o sonho (a bela música das favelas) com o pesadelo (os tanques de guerra, transformados em animais gigantescos)
C
O tom de grande alegria impregna este filme de excelente qualidade técnica, além de uma inventividade ímpar na representação dos espaços e do som. É uma produção capaz de divertir, mas não suscita a reflexão de crianças e adultos, por razões diferentes e em níveis distintos. Estas qualidades fazem de O Menino e o Mundo um filme muito mais complexo e rico do que os seus simples traços permitem imaginar.
D
O Menino e O Mundo impressiona pela mistura de técnicas, incluindo colagens, carros feitos por computador (representando a desigualdade social) e mesmo imagens em estilo documentário, de árvores sendo cortadas em florestas. Junto da trilha sonora de cunho social, composta pelo rapper Emicida, fica evidente a notável ambição deste filme de entreter ao mesmo tempo em que estabelece uma mensagem muito clara sobre a sociedade atual.
E
Todas estão incorretas.
8b2a3d41-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Leia o Fragmento baixo:

Ao chegar pediu o coronel que lhe dessem água do Apa e, ou porque lhe viessem à mente vagas reminiscências históricas, a propósito de caudais célebres, ou porque, após tanto abalo de espírito, experimentasse como que uma agitação febril, disse sorrindo: “Notemos a que hora provamos a água deste rio.” Puxou o relógio, bebeu e acrescentou a gracejar: “Desejo que este incidente seja consignado na história desta expedição, se algum dia a escreverem.” Pareceu empenhado que se lhe fizesse uma promessa em tal sentido. Foi o autor desta narrativa quem, em nome de todos, a tanto se comprometeu, e hoje o cumpre com religiosa exação porque a morte, de que estava o nosso chefe tão próximo, sabe, pela própria natureza enigmática, tudo enobrecer, tudo absolver e consagrar. É neste ponto o Apa correntoso; mas as grandes lajes que lhe calçam o leito como que convidam a entrar em suas belas águas. Foi o que fizeram muitos soldados; passaram vários para a outra margem a dizer que iam conquistar o Paraguai (TAUNAY, 2006, p. 74- 75).
TAUNAY, Alfredo d'Escragnolle. A Retirada da Laguna. São Paulo: Edições Melhoramentos, 2006 (Fragmento). 

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Taunay em A Retirada da Laguna. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque:
I. o narrador Taunay, embora não seguisse um roteiro organizado da viagem relata a realidade. Desta forma, constrói imagens fortes dos fatos vividos. Toda a imagem construída antes desse fato vivido por Taunay tem apenas a visão do Brasil litorâneo, caracterizado pela presença da Corte naquele local; através do relato ele consegue observar aspectos ainda não explorados e totalmente desconhecidos, usando da sua descrição com objetivo de informar.
II. Visconde de Taunay (1843-1899) narra um episódio da Guerra do Paraguai, considerada a mais sangrenta da América do Sul. Sua obra destaca o cenário por onde ocorreu um fato histórico (Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai) e é através desse sertão que Taunay mostra a possível busca pelo desconhecido, na qual o que se pode encontrar nem sempre é o que se imagina.
III. ao narrar num estilo singelo o fracasso dessa expedição militar, Taunay nos leva a refletir sobre questões como heroísmo, honra e dever. Dos 1680 homens que invadiram o Paraguai, apenas 500 voltaram vivos para o Brasil.

Assinale a alternativa CORRETA:

A
As alternativas I e II estão incorretas. 
B
As alternativas I e II estão corretas.
C
Apenas a alternativa I está correta.
D
Apenas a alternativa II está correta.
E
Apenas a alternativa III está correta.
8b2533ed-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Com relação a Laços de família, de Clarice Lispector, é correto afirmar:

I. Nesta coletânea de contos, as personagens - sejam adultos ou adolescentes - debatem-se nas cadeias de violência latente que podem emanar do círculo doméstico. Homens ou mulheres, os laços que os unem são, em sua maioria, elos familiares ao mesmo tempo de afeto e de aprisionamento.
II. E, como se pouco a pouco se desnudasse uma estratégia, o cotidiano dos personagens de Laços de família, cuja primeira edição data de 1960, vai-se desnudando como um ambiente falsamente estável, em que vidas aparentemente sólidas se desestabilizam de súbito, justo quando o dia-a-dia parecia estar sendo marcado pela ameaça de nada acontecer.
III. O texto de Clarice Lispector não costuma apresentar ilusória facilidade. Seu vocabulário não é simples, as imagens voltam-se para animais e plantas, quando não para objetos domésticos e situações da vida diária, com frequência numa voltagem de intenso lirismo.

Assinale a alternativa CORRETA:

A
As alternativas I e II estão corretas.
B
As alternativas II e III estão corretas.
C
Apenas a alternativa I está correta.
D
Apenas a alternativa II está correta.
E
Apenas a alternativa III está correta
8b1a0974-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Sobre o texto, é correto afirmar:

Leia o trecho da obra Águas de Manoel de Barros, abaixo transcrito, e resolva a questão.

Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas para o alvoroço dos pássaros.
Prezo os espraiados destas águas com as suas beijadas garças.
Nossos rios precisam de idade ainda para formar os seus barrancos Para pousar em seus leitos.
Penso com humildade que fui convidado para o banquete destas águas.
Porque sou de bugre. Porque sou de brejo.
Acho que as águas iniciam os pássaros
Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes E acho que as águas iniciam os homens. Nos iniciam.
E nos alimentam e nos dessedentam.
Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as plantas, de todas as pedras.
Louvo as natências do homem do Pantanal.
Todos somos devedores destas águas.
Somos todos começos de brejos e de rãs.
E a fala dos nossos vaqueiros carrega murmúrios destas águas.
Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes líquidas
E carrega de umidez as suas palavras.
Penso que os homens deste lugar são a continuação destas águas.
BARROS, Manoel. Águas. Campo Grande: Sanesul, 2001 (Fragmento).
A
Percebemos que Manoel de Barros pode até ter usado técnicas que outros poetas, ou pintores, ou cineastas usaram, no entanto, apropriou-se delas e transformou-as ao pantanalizá-las.
B
Estão presentes no poema tudo: o universo, o homem, a natureza, as relações sociais, a alegria, a liberdade, os grandes temas da humanidade, as reminiscências que passam a ser inventadas sob o filtro da poesia.
C
No trecho estão presentes alguns dos arquissemas, que são as palavras ancestrais que povoam e comandam o ser subterrâneo do poeta. São, mais ou menos, as seguintes: terra, rã, árvores, pedra, parede, antro, musgo, lesma, peixes, pássaros, caracol, boca e água
D
No trecho estão presentes as gags, ou seja , verdadeiras anedotas, poemas piadas com influência do humor imagético. São exercícios de pura liberdade e intuição fantástica.
E
Todas as afirmativas estão corretas.
8b13d4ce-b0
UFGD 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Considerando no contexto das tendências dominantes da poesia de Manoel de Barros, no livro Águas, pode-se afirmar que:

Leia o trecho da obra Águas de Manoel de Barros, abaixo transcrito, e resolva a questão.

Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas para o alvoroço dos pássaros.
Prezo os espraiados destas águas com as suas beijadas garças.
Nossos rios precisam de idade ainda para formar os seus barrancos Para pousar em seus leitos.
Penso com humildade que fui convidado para o banquete destas águas.
Porque sou de bugre. Porque sou de brejo.
Acho que as águas iniciam os pássaros
Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes E acho que as águas iniciam os homens. Nos iniciam.
E nos alimentam e nos dessedentam.
Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as plantas, de todas as pedras.
Louvo as natências do homem do Pantanal.
Todos somos devedores destas águas.
Somos todos começos de brejos e de rãs.
E a fala dos nossos vaqueiros carrega murmúrios destas águas.
Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes líquidas
E carrega de umidez as suas palavras.
Penso que os homens deste lugar são a continuação destas águas.
BARROS, Manoel. Águas. Campo Grande: Sanesul, 2001 (Fragmento).
A
Não percebemos nítida separação entre poesia e prosa. Em seu texto perambulam personagens (compondo seus alter-egos), entrelaçando-se em narrativas, o que é próprio da prosa.
B
Percebe-se uma comemoração às Águas e ao Meio Ambiente.
C
Há uma evolução temática e estrutural que perfaz, grosso modo, todas as fases do modernismo.
D
Contém um esvaziamento do sentido de Arte, de Natureza e da ausência de sonhos.
E
Existe uma oportunidade de manifestar seu desapego, tanto pelo sagrado, como pelo profano.