Questõesde PUC-GO sobre Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

TEXTO 10


Mais veículos que gente


Levando-se em conta somente o aumento do número de novos veículos e não considerando variantes como o aumento da população nem registros de baixas junto ao Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Goiânia pode mais que dobrar a frota em 2020, chegando a quase 1,7 milhão de veículos. Se o crescimento apresentado pelo Detran (6%) se mantiver, em 2015 a quantidade de carros já irá se igualar ao número de habitantes que vivem na Capital hoje, ou seja, um milhão, duzentos e quarenta e cinco mil. Como Goiânia apresenta crescimento médio populacional de 2% ao ano (está entre as 15 capitais do País que apresentam índice de crescimento populacional estagnado entre 1,5 e 3%), a projeção para 2015 é que vivam, só na cidade, por volta de 1,5 milhão de pessoas. Dados do Detran mostram que a capital tem hoje 786.501 veículos, 42% do total estadual. Só em 2007, o órgão expediu 67.631 novas licenças para carros, motos, caminhonetes e outros. Apesar do aumento de quase 36% nas licenças de 2006 para 2007, o Detran afirma que a média histórica é de 6% de aumento por ano. Para se ter uma idéia, os 49.490 registros de novos carros na Capital em 2006 foram superiores aos registros de nascimento na cidade, totalizados pelo IBGE em 22.520. Além disso, a cidade, que já apresenta um carro para cada 1,7 habitante, recebe todos os dias veículos vindos de cidades da região metropolitana, como Senador Canedo e Aparecida de Goiânia, cujas médias de crescimento populacional são maiores que 3%. Logicamente, tratase apenas de projeções simples e hipóteses, mas quando se pensa que a cidade foi projetada inicialmente para receber 50 mil pessoas e que atualmente a região metropolitana já apresenta mais de 2 milhões de habitantes, com forte tendência de crescimento, e que a proporção de carros por habitante já é a maior do Brasil, Goiânia parece estar num beco sem saída. Mas especialistas dizem que a cidade tem plenas capacidades de reverter os problemas até 2020. A mudança depende do transporte coletivo. Benjamim Jorge Rodrigues, doutor em Engenharia de Transportes e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás e do Centro Federal de Educação Tecnológica, explica: “Basicamente, o carro consome mais malha viária do que ônibus, pois no carro se anda normalmente sozinho ou com um carona. No ônibus podemos ter mais de 50 pessoas”.


(LISITA, Gabriel. Mais veículos que gente. Diário da Manhã. Cidades. 21 fev. 2008. p. 12-13. Disponível em <http://www2.dm.com.br/digital/index.php?edicao=7412>.Acesso em: 20 out. 2010.)



A respeito do tema do texto 10, analise as afirmações abaixo:


I   -   Se a capital tem hoje 786.501 veículos, 42% do total estadual, então pode-se estimar que a quantidade de carros do Estado de Goiás é de 1.872.621,4 carros, aproximadamente.

II  -  Em 2007, o Detran expediu 67.631 novas licenças para carros, motos, caminhonetes e outros que corresponde a um aumento de quase 36% nas licenças de 2006 para 2007. Assim, podemos concluir que o número de licenças expedidas em 2006 foi de aproximadamente 49.728,676.

III-Como Goiânia apresenta crescimento médio populacional de 2% ao ano, a projeção para 2015 é que vivam, só na cidade, por volta de 1,5 milhão de pessoas. Mantendo-se essa taxa de crescimento, pode-se estimar que a quantidade de pessoas residindo em Goiânia em 2020 será de 1,66 milhão de habitantes.

IV-Goiânia apresenta a proporção de um carro para cada 1,7 habitante. Se fosse essa a média de carro para a projeção inicial de Goiânia, então a quantidade de carros seria de 29.411,76 carros.


Agora, assinale a alternativa verdadeira:

A
somente os itens I e II são verdadeiros.
B
somente os itens II e III são verdadeiros.
C
somente os itens II e IV são verdadeiros.
D
Todos os itens são verdadeiros.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

A relação entre a imagem e o seu contexto verbal é estreita e variada. A imagem pode, pois, tanto ilustrar um texto verbal ou vice-versa, podendo, ainda, o texto verbal acrescentar informações à referida imagem, na forma de um comentário, por exemplo. O texto 09 é visual e, dessa forma, pode-se afirmar (assinale a alternativa correta):

A
A referida imagem possui características próprias que permitem sua decodificação, tais como a proporção, o foco, a dimensão, o traço, dentre outras.
B
A imagem é superficial e não reflete a realidade.
C
Tanto a imagem quanto a palavra podem ser decodificadas, desde que a intencionalidade do autor seja explicitada.
D
O texto visual apresenta relação com a realidade, mas não pode ser decodificado verbalmente.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

O homem precisa consumir bens e serviços para se manter vivo, tais como roupas, abrigo, meios de transporte, alimentos, dentre outros, denominados necessidades materiais. Como não vive isolado, também precisa relacionar-se e, ainda, pertencer a grupos, ter consciência desse pertencimento e de si mesmo, respeitando a individualidade do sujeito em relação aos grupos sociais circundantes. Esses bens são denominados necessidades sociais. Sobre o texto 09, assinale a alternativa correta:

A
No texto há um forte apelo ao consumismo, sem o qual o homem não sobrevive.
B
A imagem nos leva a refletir sobre a importância do consumo consciente como uma prática preventiva contra o aquecimento global.
C
O texto remete à ideia de responsabilização acerca dos perigos do consumismo e da importância das necessidades sociais.
D
O texto apresenta como foco principal a importância da consciência, quando ocorre o consumo.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Com relação às narrativas curtas do livro Rapto de Memória, de Maria Teresinha Martins, assinale a alternativa correta:

TEXTO 08



[...]


       Sangram-me o peito, palavras/punhais de um reduzido número de pessoas insensatas que dominam o país e assistem com prazer, na arena dos verdes campos de minha terra, a homens digladiando-se e outros defendendo a utopia; outros, ainda incautos, insanamente ganham o pão de cada dia ao colorir a terra com sangue do irmão.

      Meu olhar, ante opaco, adquire a transparência límpida do regato. Minhas retinas fotografam e embaralham cartas e cenas, alegres e tristes.

     Cada pessoa ocupa o seu lugar. Existe. Resiste. Luta e revanche; recebe pancadas e flores. Sorriso de rosas; chicotadas traiçoeiras apanham-na, desprevenidamente, ao virar a esquina do tempo.

      Importa viver, importa navegar nas naves aventureiras e, sem comparações, viver sua história – de amor? Em julgar ou estabelecer parâmetros para suas ações. [...]



(MARTINS, Maria Teresinha. Rapto de memória. Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2010. p. 75.)

A
São narrativas multitemáticas, cada uma abordando um espaço diferente, um tempo diverso e uma faceta do ser humano.
B
São um conjunto de textos breves, cujo tema principal é a desilusão amorosa expressa em linguagem pautada pela melancolia.
C
São um conjunto de narrativas breves, nas quais se encontram à farta um sem número de sentimentos e sensações, como a busca de si mesma pela voz narradora, o desencontro existencial, o desencanto; tudo isso, numa linguagem recheada de sinestesias, metáforas e outro recursos, que fazem deste livro uma leitura densa e intensa.
D
Pode-se dizer que é um conjunto de breves textos, cuja marca principal é a linguagem metafórica e o sentimentalismo e o desejo incontrolável de romper os limites do ser para explodir-se no encontro sonhado com o amor, a única esperança de libertação.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

“Meio-dia, gente correndo pelas ruas, preocupações: dinheiro, cheques para cobrir, títulos em protesto, filas de pagar luz, água, esgoto, telefone, imposto, saúde, coração rateando, angina pectoris, desidratação, neurastenia, Adauto Botelho, filas de INPS [...], meio-dia, João dentro do ônibus que faz a linha Redenção-Centro”.


(TELES, José Mendonça. A Cidade do Ócio. 4 ed. Goiânia: Kelps, 2010)


A respeito do fragmento acima, extraído da obra de José Mendonça Teles, publicada pela primeira vez há 40 anos, assinale a alternativa correta:

TEXTO 07

        Gente pisando no calo de gente que bronqueia, revolta, geme.
        – Parado.
       Desce um lote de passageiros, levando na face o marco do trabalho e da esperança.
     João, de pé, com as mãos firmes no friso do friso do ônibus, pensa. Seus pensamentos voam às ruas, correm contrariamente e desaparecem no turbilhão das avenidas.
       João calcula: “Vida miserável, a gente tem disposição, quer trabalhar e não consegue emprego”.
       – Parado.
        Desce outro lote de passageiros e sobe mais gente.
     Espremido e revoltado, João matuta: “Vida desgraçada: vinte oito anos, casado, pai de dois filhos, desempregado, sem casa, sem dinheiro, sem destino”...
       O coletivo corre pelo asfalto quente da Avenida Goiás em direção à Praça do Bandeirante, onde os imponentes edifícios fazem guarda ao travesso Bartolomeu que ameaça incendiar os rios.
(TELES, José Mendonça. João. In: ______. A Cidade do Ócio. 4. ed. Goiânia: Editora Kelps. 2010, p. 43.)
A
O texto apresenta linguagem marcada pela época, haja vista o uso de termos que já não estão mais em nosso vocabulário.
B
O texto descreve problemas comuns na vida da capital goiana nos idos dos anos 1960/70, que nos remetem a uma sensação de saudosismo.
C
A narrativa traz um conjunto de problemas atuais, em linguagem corrente e sóbria, trazendo à tona o que ocorre nos demais contos de A Cidade do Ócio, no qual se pode vislumbrar um retrato em detalhe da sociedade contemporânea, a partir de um olhar pelas ruas e pessoas de Goiânia.
D
O fragmento apresenta um olhar sobre as ruas e pessoas de Goiânia, num tempo em que é latente o ócio de uma cidade que ainda não havia entrado na roda viva da modernidade.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

A Cidade do Ócio, de José Mendonça Teles, e Cinzas da Paixão e Outras Estórias, de Maria Aparecida Rodrigues, são duas obras da Literatura Goiana que, cada vez mais, despertam grande interesse de estudiosos e leitores, em geral. Em relação a essa afirmativa, assinale a justificativa correta:

TEXTO 07

        Gente pisando no calo de gente que bronqueia, revolta, geme.
        – Parado.
       Desce um lote de passageiros, levando na face o marco do trabalho e da esperança.
     João, de pé, com as mãos firmes no friso do friso do ônibus, pensa. Seus pensamentos voam às ruas, correm contrariamente e desaparecem no turbilhão das avenidas.
       João calcula: “Vida miserável, a gente tem disposição, quer trabalhar e não consegue emprego”.
       – Parado.
        Desce outro lote de passageiros e sobe mais gente.
     Espremido e revoltado, João matuta: “Vida desgraçada: vinte oito anos, casado, pai de dois filhos, desempregado, sem casa, sem dinheiro, sem destino”...
       O coletivo corre pelo asfalto quente da Avenida Goiás em direção à Praça do Bandeirante, onde os imponentes edifícios fazem guarda ao travesso Bartolomeu que ameaça incendiar os rios.
(TELES, José Mendonça. João. In: ______. A Cidade do Ócio. 4. ed. Goiânia: Editora Kelps. 2010, p. 43.)
A
Tanto uma quanto outra, embora escritas em épocas diferentes, trazem em si o frescor da atualidade, mesclando, em sua linguagem, rica em detalhes, verdade e beleza, fatos e sensações da memória coletiva, que tornam a leitura uma viagem pelo universo do homem e de sua realidade.
B
Ambas estão carregadas de experiências do regionalismo e traduzem um retrato fiel da cidade de Goiânia e do interior do Estado de Goiás, tornando-se, assim, obras emblemáticas de nossa cultura.
C
Tanto uma quanto outra revelam uma preocupação muito grande com a condição do menos favorecido que perambula, sem rumo, pelas ruas de nossas cidades, presos à memória de uma infância feliz que ficou no passado.
D
Ambas exploram os problemas mais comuns da vida contemporânea, ressaltando que haverá sempre uma esperança, contanto haja também a disposição do ser humano para mudar.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Assinale a alternativa que caracteriza corretamente o livro de contos Cinzas da paixão e outras estórias, de Maria Aparecida Rodrigues:

TEXTO 05

      Fecho os olhos com insistência e tento resgatar a veracidade daqueles momentos. Tudo insólito, orvalho matutino, insolitíssimo.
     Na infância, corríamos quintal adentro. Subíamos nas grimpas das árvores e lá brincávamos de morar. Ela sempre no andar de baixo; eu, nas alturas. [...] O mundo dali era pequeno e ao mesmo tempo enorme. Eu e o mundo. Um no dentro do outro. Um além do outro. Tão longe e tão junto. [...] Ficava, eu, horas e horas, assim, balançando nas grimpas. Esquecia do tempo. Às vezes, brincávamos de impulsionar forte o galho, no ritmo do balanço até que lançássemos o nosso corpo da copa de uma árvore aos galhos de outras árvores próximas, feito pássaros: voando de galho em galho, de árvore em árvore, transpondo os limites do vazio e do céu.

(RODRIGUES, Maria Aparecida. A Transfiguração de Lúcia In:. _______ . Cinzas da paixão e outras estórias. Goiânia: Ed. da UCG, 2007. p. 19.)
A
O conto “A Transfiguração de Lúcia” apresenta uma cena tipicamente goiana, que revela aspectos da infância recheados de brincadeiras despretensiosas; pura fantasia de criança.
B
A obra revela uma preocupação concreta com a sustentabilidade do homem e do mundo contemporâneo, uma vez que podemos vislumbrar, em seus contos, o passado e o presente sendo confrontados e, nesse processo, tanto o ser humano quanto as coisas mundanas deixam transparecer suas fragilidades e suas mazelas.
C
Em Cinzas da paixão..., há uma preocupação constante com a infância que não volta mais, cheia de alegria e sonhos, comparada com um presente sem qualquer perspectiva, numa linguagem tão áspera quanto é a vida de grande parte dos personagens que se apresentam em suas estórias.
D
A cena descrita em “A Transfiguração de Lúcia” é típica de saudade e melancolia, em linguagem comum, própria do universo infantil, fazendo aflorar tão-somente um desejo de recuperar o passado, como aliás acontece na maioria dos contos deste livro.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Análise sintática, Sintaxe, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

No que se refere à organização sintática do texto, identifique a única alternativa correta:

TEXTO 05

      Fecho os olhos com insistência e tento resgatar a veracidade daqueles momentos. Tudo insólito, orvalho matutino, insolitíssimo.
     Na infância, corríamos quintal adentro. Subíamos nas grimpas das árvores e lá brincávamos de morar. Ela sempre no andar de baixo; eu, nas alturas. [...] O mundo dali era pequeno e ao mesmo tempo enorme. Eu e o mundo. Um no dentro do outro. Um além do outro. Tão longe e tão junto. [...] Ficava, eu, horas e horas, assim, balançando nas grimpas. Esquecia do tempo. Às vezes, brincávamos de impulsionar forte o galho, no ritmo do balanço até que lançássemos o nosso corpo da copa de uma árvore aos galhos de outras árvores próximas, feito pássaros: voando de galho em galho, de árvore em árvore, transpondo os limites do vazio e do céu.

(RODRIGUES, Maria Aparecida. A Transfiguração de Lúcia In:. _______ . Cinzas da paixão e outras estórias. Goiânia: Ed. da UCG, 2007. p. 19.)
A
O trecho “Fecho os olhos [...] momentos” é constituído de duas orações, formando um período composto por subordinação, expressando o sentimento de impaciência da personagem.
B
A passagem “a veracidade daqueles momentos” significa que a concretude situacional era, como fenômeno, palpável, percebido pela denotação das palavras.
C
Em “Tudo insólito[...] insolitíssimo” tem-se a ideia de que a personagem experiencia, de forma superlativa, a sensação de algo anormal, incomum em seu cotidiano.
D
O período “O mundo dali era pequeno e ao mesmo tempo enorme” cria um efeito de sentido para o leitor, revelado na visão realística da personagem, isto é, visto de qualquer ângulo, o mundo é uniforme.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Com base no texto 03, assinale a alternativa correta:

TEXTO 03

PRIMEIRO
OS CASTELOS

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apóia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.
(PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo: Martin Claret,
2009. p. 27.)
A
O emissor lírico nos informa que o “olhar esfíngico e fatal” pode causar danos ao futuro da Europa, e que Portugal não poderá atenuar essa possível catástrofe.
B
O autor personifica a Europa ao conferir-lhe uma configuração humana, de tal forma que ela tenha cabelos, cotovelos, olhos e rosto. O cotovelo esquerdo está alojado na Itália, o rosto está constituído por Portugal. Por meio dessa elaboração imagética, o emissor coloca Portugal num lugar de destaque (com boa visibilidade) naquele cenário.
C
O emissor lírico nos fala da importância histórica de seu país, da configuração geográfica do continente europeu, do desenvolvimento cultural de países como a Inglaterra e a Itália, e nos sugere que o Ocidente não terá um futuro tão promissor quanto foi aquele de seu passado.
D
O autor dá ao continente europeu uma configuração similar à constituição humana, com o propósito de mostrar que esse continente se degradou em ampla escala, no último século, tal qual a sociedade humana se degrada, e que essa situação é difícil de ser resolvida.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Advérbios, Regência, Variação Linguística, Tipologia Textual, Sintaxe, Morfologia, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

TEXTO 04

      Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. [...]

       Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

      Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.

      – Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.

      A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.

         – Anda, excomungado.

   O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. [...]

(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 100. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 9-10)



Sobre o trecho “Arrastaram-se para lá, devagar [...] o menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás”, retirado do texto 04, indique a única alternativa verdadeira:

A
A palavra devagar exerce o papel de advérbio, pois modifica o verbo, enriquecendo o significado global do predicado da sentença.
B
O trecho referido constitui-se num parágrafo narrativo, no qual as formas verbais representam a celeridade das ações das personagens, mostrando a transmutação da realidade.
C
A expressão “escanchado no quarto” significa “montado nas costas” e é uma variável linguística muito utilizada no sul do Brasil.
D
Em “presa ao cinturão”, presenciamos um caso de regência verbal, pois o verbo rege complemento introduzido pela preposição a.
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Regência, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia, Sintaxe, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

As palavras envolvem aspectos estruturais, semânticos e frásicos, construindo sentidos em instâncias enunciativas. Identifique quais afirmativas abaixo representam corretamente o texto 3. Depois, assinale a alternativa correta.


I - A palavra jaz, em “A Europa jaz”, refere-se ao verbo jazer, significando estar imóvel, sereno, quieto, apoiado.

II - No trecho “E toldam-lhe românticos cabelos” o pronome “lhe” é complemento do verbo transitivo, referindo-se à Europa.

III - A expressão “românticos” cabelos traduz a peculiaridade da cor loura da mulher europeia.

IV - A expressão “esfíngico e fatal” representa o olhar transparente, límpido e determinado do observador.


A alternativa que contém apenas itens corretos é:

TEXTO 03

PRIMEIRO
OS CASTELOS

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apóia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.
(PESSOA, Fernando. Mensagem. São Paulo: Martin Claret,
2009. p. 27.)
A
I e III
B
II e IV
C
I e II
D
II e III
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PUC-GO 2010 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

TEXTO 02


Ao chegar ao Rio, de Corumbá, Fuentes hospedou-se no Hotel Bragança, na avenida Mem de Sá. Um hotel cheio de turistas argentinos falando portunhol. [...]
Na lista telefônica Fuentes escolheu um oftalmologista de nome espanhol, Pablo Hernandez. O dr. Hernandez descendia de uruguaios e, para desapontamento de Fuentes, não falava espanhol. Em seu bem montado consultório, na avenida Graça Aranha, na Esplanada do Castelo, examinou Fuentes cuidadosamente. O cristalino, a íris, a conjuntiva, o nervo ótico, os músculos, artérias e veias do aparelho ocular estavam perfeitos. A córnea, porém, fora atingida. Didaticamente Hernandez explicou ao seu cliente que a córnea era uma camada externa transparente através da qual a luz – e com a luz, a cor, a forma, o movimento das coisas – penetrava no olho.

Córnea – moça, 24ª , vende. Tel. 185-3944.
O anúncio no O Dia foi lido por Fuentes. Ele ligou de seu quarto, no Hotel Bragança. Atendeu uma mulher...[...] Ela disse que ele podia pegar um ônibus no largo de São Francisco.
“É para você?”, perguntou a mulher quando Fuentes lhe falou que era a pessoa que havia telefonado. [...]
“Sim, é para mim.” A mulher não ter percebido a cicatriz no seu olho esquerdo deixou Fuentes satisfeito. [...]
“Dez milhas”, disse a mulher impaciente. “E não é caro. O preço de um carro pequeno. Minha filha é muito moça, nunca teve doença, dentes bons, ouvidos ótimos. Olhos maravilhosos.”


(FONSECA, Rubem. A Grande Arte. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 137-139.)


Com relação ao texto 02, assinale a alternativa correta:

A
O relato focaliza, preferencialmente, a dinâmica mental das personagens, o que elas pensam, e não suas ações, o que elas fazem, provocando uma profunda mudança na elaboração dos elementos ficcionalizados, ao passar da análise do mundo exterior para aquele ligado, estritamente, à análise mental das personagens.
B
O episódio provém das lembranças, reminiscências e livres associações mentais das personagens, e é feito sem controle da razão, porque decorre das zonas sombrias e pouco conhecidas da mente, caracterizando, assim, uma elaboração profundamente surrealista.
C
Aquele trecho, aparece a denúncia de um aspecto reprovável e ofensivo à ética e que mancha a imagem da nossa sociedade: a venda de órgãos humanos.
D
O autor, ao fazer referência à incapacidade do sistema de saúde para receber a doação contínua de órgãos destinados à reparação da saúde humana, denuncia a esfera governamental por sua inoperância tanto na elaboração de uma política adequada para esse setor, quanto na execução dessa política.
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PUC-GO 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Desenvolvido incialmente como um folhetim, o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, utiliza a ironia e o pessimismo para retratar e questionar os costumes da época. Sobre essa obra é possível afirmar que (assinale a alternativa correta):

TEXTO 8

                                             IX

Horas depois, teve Rubião um pensamento horrível. Podiam crer que ele próprio incitara o amigo à viagem, para o fim de o matar mais depressa, e entrar na posse do legado, se é que realmente estava incluso no testamento. Sentiu remorsos. Por que não empregou todas as forças, para contê-lo? Viu o cadáver do Quincas Borba, pálido, hediondo, fitando nele um olhar vingativo; resolveu, se acaso o fatal desfecho se desse em viagem, abrir mão do legado.

Pela sua parte o cão vivia farejando, ganindo, querendo fugir; não podia dormir quieto, levantava-se muitas vezes, à noite, percorria a casa, e tornava ao seu canto. De manhã, Rubião chamava-o à cama, e o cão acudia alegre; imaginava que era o próprio dono; via depois que não era, mas aceitava as carícias, e fazia-lhe outras, como se Rubião tivesse de levar as suas ao amigo, ou trazê-lo para ali. Demais, havia-se-lhe afeiçoado também, e para ele era a ponte que o ligava à existência anterior. Não comeu durante os primeiros dias. Suportando menos a sede, Rubião pôde alcançar que bebesse leite; foi a única alimentação por algum tempo. Mais tarde, passava as horas, calado, triste, enrolado em si mesmo, ou então com o corpo estendido e a cabeça entre as mãos.

Quando o médico voltou, ficou espantado da temeridade do doente; deviam tê-lo impedido de sair; a morte era certa.

— Certa?

— Mais tarde ou mais cedo. Levou o tal cachorro?

— Não, senhor, está comigo; pediu que cuidasse dele, e chorou, olhe que chorou que foi um nunca acabar. Verdade é, disse ainda Rubião para defender o enfermo, verdade é que o cachorro merece a estima do dono; parece gente.

O médico tirou o largo chapéu de palha para concertar a fita; depois sorriu. Gente? Com que então parecia gente? Rubião insistia, depois explicava; não era gente como a outra gente, mas tinha coisas de sentimento, e até de juízo. Olhe, ia contar-lhe uma...

— Não, homem, não, logo, logo, vou a um doente de erisipela... Se vierem cartas dele, e não forem reservadas, desejo vê-las, ouviu? E lembranças ao cachorro, concluiu saindo.

Algumas pessoas começaram a mofar do Rubião e da singular incumbência de guardar um cão em vez de ser o cão que o guardasse a ele. Vinha a risota, choviam as alcunhas. Em que havia de dar o professor! sentinela de cachorro! Rubião tinha medo da opinião pública. Com efeito, parecia-lhe ridículo; fugia aos olhos estranhos, olhava com fastio para o animal, dava-se ao diabo, arrenegava da vida. Não tivesse a esperança de um legado, pequeno que fosse. Era impossível que lhe não deixasse uma lembrança.

(ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 30-31.)

A
a personagem título morre pobre, apesar de ter tido uma vida repleta de bens, e louca a ponto de acreditar que era Napoleão Bonaparte.
B
é um romance narrado em terceira pessoa, que analisa a desagregação psicológica e financeira do professor Rubião.
C
apesar de retratar a sociedade burguesa do século XIX, o romance não tem a pretensão de criticar o uso das relações amorosas para solucionar problemas financeiros.
D
conta a história de Quincas Borba, filósofo que teoriza sobre o humanitismo, que se torna vítima ao ser ludibriado pelo casal Cristiano Palha e Sofia.
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PUC-GO 2016 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Na sociedade industrializada, a divisão social do trabalho é um fundamento. A partir de tal fundamento, se organiza a própria vida humana e se questiona toda e qualquer forma de vida alternativa, como a dos “hippies”, mencionada no Texto 7. No entanto, se essa forma alternativa puder gerar lucro, o modo de vida hegemônico pode se apropriar de sua cultura e até de seus indivíduos. O texto em questão faz menção a (assinale a resposta correta):

TEXTO 7

                   O mistério dos hippies desaparecidos

Ide ao Mercadão da Travessa do Carmo. Que vereis? O alegre, o pitoresco, o colorido. Admirai a excelente organização: cada artesão em seu quadrado, exibindo belos trabalhos.

Mas... Nada vos chama a atenção?

Não? Neste caso, pergunto-vos: onde estão os hippies da Praça Dom Feliciano? Isso mesmo, aqueles que ficavam na frente da Santa Casa. Onde estão? Não sabeis?

O homem de cinza sabe.

O homem de cinza vinha todos os dias à Praça Dom Feliciano. Ficava muito tempo olhando os hippies, que não lhe davam maior atenção. O homem, ao contrário, parecia muito interessado neles: examinava os objetos expostos, indagava por preços, por detalhes da manufatura. E anotava tudo numa caderneta de capa preta. Um dia perguntou aos hippies onde moravam. Por aí, respondeu um rapaz. Numa comuna? — perguntou o homem. Não, não era em nenhuma comuna; na realidade, estavam ao relento. O homem então disse que eles deveriam morar juntos numa comuna. Ficaria mais fácil, mais prático. O rapaz concordou. Não estava com muita vontade de falar; contudo, acrescentou, depois de uma pausa, que o problema era encontrar o lugar para a comuna.

Não é problema, disse o homem; eu tenho uma chácara lá na Vila Nova, com uma boa casa, gramados, árvores frutíferas. Se vocês quiserem, podem ficar lá. No amor? — perguntou o rapaz.

— No amor, bicho — respondeu o homem, rindo. Só quero que vocês tomem conta da casa. Os hippies confabularam entre si e resolveram aceitar. O homem levou-os — eram doze, entre rapazes e moças — à chácara, numa camioneta Veraneio. Deixou-os lá.

Durante algum tempo não apareceu. Mas, num domingo, deu as caras. Conversou com os jovens sobre a chácara, contou histórias interessantes. Finalmente, pediu para ver o que tinham feito de artesanato. Examinou as peças atentamente e disse:

— Posso dar uma sugestão? Eles concordaram. Como não haveriam de concordar? Mas foi assim que começou. O homem organizou-os em equipes: a equipe dos cintos, a equipe das pulseiras, a equipe das bolsas.

Ensinou-os a trabalhar pelo sistema de linha de montagem; racionalizou cada tarefa, cada atividade.

Disciplinou a vida deles, também. Centralizou todo o consumo de tóxicos. Fornecia drogas mediante vales, resgatados ao fim do mês, conforme a produção. Permitiu que se vestissem como desejavam, mas era rígido na escala de trabalho. Seis dias por semana, folga às quartas — nos domingos tinham de trabalhar. Nestes dias, o homem de cinza admitia visitantes na chácara, mediante o pagamento de ingressos. Um guia especialmente treinado acompanhava-os, explicando todos os detalhes acerca dos hippies, estes seres curiosos.

O homem de cinza já era muito rico, mas agora está multimilionário. É que organizou uma firma, e exporta para os Estados Unidos e para o Mercado Comum Europeu cintos, pulseiras e bolsas.

Parece que, para esses artigos, não há sobretaxa de exportações. Escreveu um livro — Minha Vida Entre os Hippies — que tem se constituído em autêntico êxito de livraria; uma adaptação para a televisão, sob forma de novela, está quase pronta. E quem ouviu a trilha sonora, garante que é um estouro.

Tem apenas um temor, este homem. É que um dos hippies, de uma hora para outra, cortou o cabelo, passou a tomar banho — e usa agora um decente terno cinza. Por enquanto ainda não se manifestou; mas trata-se — o homem de cinza está convencido disto — de um autêntico contestador.

(SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. São Paulo: Global, 2003. p. 130-132.)

A
uma apropriação, por parte dos hippies, da cultura ocidental capitalista como forma de resistência e protesto.
B
uma nova forma de hippies que aprenderam a se organizar a partir das contribuições do capitalismo contemporâneo.
C
uma nova forma do capitalismo contemporâneo, que consegue se travestir da aparência de uma ajuda humanitária quando na verdade condiciona pessoas a uma determinada produtividade controlada.
D
uma mescla entre vida simples e complexa a partir do olhar da economia.
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A dramaturgia de Nelson Rodrigues problematiza questões humanas com base, quase sempre, em episódios nada triviais, com uma abordagem pessimista da vida. O beijo no asfalto é um bom exemplo disso. Considerando a leitura integral da peça e especialmente o Texto 6, analise as assertivas a seguir:
I - A cena em questão compõe o Primeiro Ato, num quadro que se passa no distrito policial, e dimensiona a visão do autor sobre a ética na imprensa de sua época.
II - A fragilidade do protagonista, explicitada especialmente nas rubricas que precedem suas falas, decorre tanto da situação momentânea quanto de sua natureza sensível.
III - A ação do fotógrafo a mando do repórter policial intensifica a pressão sobre a testemunha e aumenta a tensão dramática da cena.
IV - O encaminhamento do interrogatório para a sexualidade de Arandir revela o objetivo sensacionalista da imprensa e denuncia a sociedade preconceituosa. Consideradas as afirmações, assinale a única alternativa que apresenta todos os itens corretos:

TEXTO 6

Arandir — Posso ir?

Comissário Barros — Pode.

Arandir (recuando, com sofrida humildade) — Então, boa tarde, boa tarde.

Cunha — Um minutinho.

Arandir (incerto) — Comigo?

Cunha — Um momento.

Barros — Já prestou declarações.

Cunha (entre divertido e ameaçador) — Sei. Agora vai conversar comigo.

Aruba (baixo e veemente para Arandir) — O delegado.

Amado — Senta.

Arandir (sentindo a pressão de novo ambiente) — Mas é que eu estou com um pouquinho de pressa. (Arandir começa a ter medo. Ele próprio não sabe de quê.)

Cunha (com o riso ofegante) — Rapaz, a polícia não tem pressa.

Amado — Mas senta. (Arandir olha em torno, como um bicho apavorado. Senta-se, finalmente.)

Arandir (sem ter de quê) — Obrigado.

Barros (baixo e reverente, para o delegado) — Ele é apenas testemunha.

Cunha — Não te mete.

(Arandir ergue-se, sôfrego.)

Arandir — Posso telefonar?

Cunha — Mais tarde.

(Amado cutuca o fotógrafo.)

Amado — Bate agora! (flash estoura. Arandir toma um choque.)

Arandir — Retrato?

Amado — Nervoso, rapaz?

(Arandir senta-se, une os joelhos.)

Arandir — Absolutamente!

Cunha (lançando a pergunta como uma chicotada)

— Você é casado, rapaz?

Arandir — Não ouvi.

Cunha (num berro) — Tira a cera dos ouvidos!

Amado (inclinando-se para o rapaz) — Casado ou solteiro?

Arandir — Casado.

Cunha — Casado. Muito bem. (vira-se para Amado, com segunda intenção) O homem é casado. (para o Comissário Barros) Casado.

Barros — Eu sabia.

Arandir (com sofrida humildade) — O senhor deixa dar um telefonema rápido para minha mulher?

Cunha (rápido e incisivo) — Gosta de sua mulher, rapaz?

(Arandir, por um momento, acompanha o movimento do fotógrafo que se prepara para bater uma nova fotografia.)

Arandir — Naturalmente!

Cunha (com agressividade policial) — E não usa nada no dedo, por quê?

Arandir (atarantado) — Um dia, no banheiro, caiu. Caiu a aliança. No ralo do banheiro.

Amado — O que é que você estava fazendo na praça da Bandeira?

Arandir — Bem. Fui lá e...

Cunha (num berro) — Não gagueja, rapaz!

Arandir (falando rápido) — Fui levar uma joia.

Cunha (alto) — Joia!

Arandir — Joia. Aliás, empenhar uma joia na Caixa Econômica. (Amado e Cunha cruzam as perguntas para confundir e levar Arandir ao desespero.)

Amado — Casado há quanto tempo?

Arandir — Eu?

Cunha — Gosta de mulher, rapaz?

ARANDIR (desesperado) — Quase um ano!

Cunha (mais forte) — Gosta de mulher?

Arandir (quase chorando) — Casado há um ano. (Cunha muda de voz, sem transição. Põe a mão no joelho do rapaz.)

Cunha (caricioso e ignóbil) — Escuta. O que significa para ti. Sim, o que significa para “você” uma mulher!?

Arandir (lento e olhando em torno) — Mas eu estou preso?

Cunha (sem ouvi-lo e sempre melífluo) — Rapaz, escuta! Uma hipótese. Se aparecesse, aqui, agora, uma mulher, uma “boa”. Nua. Completamente nua. Qual seria. É uma curiosidade. Seria a tua reação? (Arandir olha, ora o Cunha, ora o Amado. Silêncio.)

(RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 23-27.)

A
I e II.
B
I, II e III.
C
I, II, III e IV.
D
II e IV.
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No Texto 6, o personagem Cunha enuncia as seguintes sentenças em momentos distintos: “gosta de sua mulher, rapaz?” e “gosta de mulher, rapaz?” Assinale a alternativa que manifesta, respectivamente, o pressuposto correto extraído de cada uma delas:

TEXTO 6

Arandir — Posso ir?

Comissário Barros — Pode.

Arandir (recuando, com sofrida humildade) — Então, boa tarde, boa tarde.

Cunha — Um minutinho.

Arandir (incerto) — Comigo?

Cunha — Um momento.

Barros — Já prestou declarações.

Cunha (entre divertido e ameaçador) — Sei. Agora vai conversar comigo.

Aruba (baixo e veemente para Arandir) — O delegado.

Amado — Senta.

Arandir (sentindo a pressão de novo ambiente) — Mas é que eu estou com um pouquinho de pressa. (Arandir começa a ter medo. Ele próprio não sabe de quê.)

Cunha (com o riso ofegante) — Rapaz, a polícia não tem pressa.

Amado — Mas senta. (Arandir olha em torno, como um bicho apavorado. Senta-se, finalmente.)

Arandir (sem ter de quê) — Obrigado.

Barros (baixo e reverente, para o delegado) — Ele é apenas testemunha.

Cunha — Não te mete.

(Arandir ergue-se, sôfrego.)

Arandir — Posso telefonar?

Cunha — Mais tarde.

(Amado cutuca o fotógrafo.)

Amado — Bate agora! (flash estoura. Arandir toma um choque.)

Arandir — Retrato?

Amado — Nervoso, rapaz?

(Arandir senta-se, une os joelhos.)

Arandir — Absolutamente!

Cunha (lançando a pergunta como uma chicotada)

— Você é casado, rapaz?

Arandir — Não ouvi.

Cunha (num berro) — Tira a cera dos ouvidos!

Amado (inclinando-se para o rapaz) — Casado ou solteiro?

Arandir — Casado.

Cunha — Casado. Muito bem. (vira-se para Amado, com segunda intenção) O homem é casado. (para o Comissário Barros) Casado.

Barros — Eu sabia.

Arandir (com sofrida humildade) — O senhor deixa dar um telefonema rápido para minha mulher?

Cunha (rápido e incisivo) — Gosta de sua mulher, rapaz?

(Arandir, por um momento, acompanha o movimento do fotógrafo que se prepara para bater uma nova fotografia.)

Arandir — Naturalmente!

Cunha (com agressividade policial) — E não usa nada no dedo, por quê?

Arandir (atarantado) — Um dia, no banheiro, caiu. Caiu a aliança. No ralo do banheiro.

Amado — O que é que você estava fazendo na praça da Bandeira?

Arandir — Bem. Fui lá e...

Cunha (num berro) — Não gagueja, rapaz!

Arandir (falando rápido) — Fui levar uma joia.

Cunha (alto) — Joia!

Arandir — Joia. Aliás, empenhar uma joia na Caixa Econômica. (Amado e Cunha cruzam as perguntas para confundir e levar Arandir ao desespero.)

Amado — Casado há quanto tempo?

Arandir — Eu?

Cunha — Gosta de mulher, rapaz?

ARANDIR (desesperado) — Quase um ano!

Cunha (mais forte) — Gosta de mulher?

Arandir (quase chorando) — Casado há um ano. (Cunha muda de voz, sem transição. Põe a mão no joelho do rapaz.)

Cunha (caricioso e ignóbil) — Escuta. O que significa para ti. Sim, o que significa para “você” uma mulher!?

Arandir (lento e olhando em torno) — Mas eu estou preso?

Cunha (sem ouvi-lo e sempre melífluo) — Rapaz, escuta! Uma hipótese. Se aparecesse, aqui, agora, uma mulher, uma “boa”. Nua. Completamente nua. Qual seria. É uma curiosidade. Seria a tua reação? (Arandir olha, ora o Cunha, ora o Amado. Silêncio.)

(RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 23-27.)

A
Arandir tem dúvidas em relação ao seu amor pela esposa. / Arandir foi submetido a uma experiência afetiva fora do casamento.
B
Arandir é casado. / O delegado manifesta suspeitas de que o comportamento de Arandir revele tendências homoafetivas.
C
O delegado manifesta interesse pela mulher de Arandir. / A postura do delegado é investigativa e não moral.
D
Rapazes, tal como Arandir é chamado, são imaturos em relação ao Amor. / A orientação sexual de rapazes como Arandir ainda está por se definir.
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Em determinado momento do Texto 4, a narrativa ganha contornos argumentativos visíveis quando o enunciador (assinale a alternativa correta):

TEXTO 4

Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

(BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

A
manifesta sua dúvida sobre o desejo ou não da morte da filha.
B
relata sua busca pela cura nas águas do Cristal.
C
trata do aconselhamento negado pelo rio e do pedido de tempo.
D
faz reflexões sobre o tempo, a felicidade, a dor.
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A poesia é uma expressão artística que permite associar imagens, palavras e ritmos. Sobre ela, podemos afirmar que (assinale a alternativa correta):

TEXTO 2

                                O milagre de viajar

Quisera eu, então, decifrar

os dias repletos de sombras moventes,

à exaltação do que, insalubre, vaga

pelos olhos dos homens.


Quisera, enfim,

saber por que das causas e quilhas

de barco nenhum

flui das tinas

dos dias

o fumo

o rum(o)


do que se foi e nunca mais será,

como da via o milagre

de viajar!

(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)

A
constitui um gênero literário com característica fixas e definidas, o que facilita sua identificação.
B
não admite variações em sua estrutura, por apresentar uma forma fixa.
C
está presente em manifestações artísticas diversas, como a música, literatura ou pintura
D
ela faz parte, exclusivamente, dos movimentos literários.
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Que aspecto linguístico é responsável por criar, no Texto 3, uma atmosfera dramática e misteriosa? Assinale a alternativa correta:

TEXTO 3

                          Escalada para o inferno

Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.

(GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)

A
A descrição detalhada, feita pelo enunciador, de como se deu a sua caminhada até o barbeiro. Entrecortada por metáforas (“inferno”), sentimentos (“medo de chorar”, “desejo de dizer algo”) e qualificações (“impregnante”, “vasculhante”, “suja”, “anestésica”), a descrição omite, até o desfecho, o lugar para onde pai e filho iam.
B
O uso de artigos e pronomes indefinidos (“uma infinitude de terra”, “um desejo”, “todos”), que apontam para uma realidade já conhecida, inicialmente renegada e, depois, aceita pacificamente pelo enunciador criança como impossível de se fugir dela.
C
A utilização de verbos de ação (“acompanhar”, “chorar”, “tropeçar”, “subir”, “dizer”, “socorrer”, “olhar”, “amarrar”), cuja função principal é dar velocidade à narrativa.
D
A ausência de sequenciadores coesivos, como “além disso”, “então”, “logo”, “dessa forma”, “haja vista”, “portanto”, o que torna o texto entrecortado, de modo a aproximar-se da língua falada.
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O título “Democracia”, do Texto 1, deve-se ao fato de que (assinale a alternativa correta):

TEXTO 1

Democracia

Punhos de redes embalaram o meu canto

para adoçar o meu país, ó Whitman.

Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                     [olhados,

catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

carumã me alimentou quando eu era criança,

Mãe-negra me contou histórias de bicho,

moleque me ensinou safadezas,

massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

bebi cachaça com caju para limpar-me,

tive maleita, catapora e ínguas,

bicho-de-pé, saudade, poesia;

fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

dizendo coisas, brincando com as crioulas,

vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

conversando com os malucos, conversando sozinho,

emprenhando tudo que encontrava,

abraçando as cobras pelos matos,

me misturando, me sumindo, me acabando,

para salvar a minha alma benzida

e meu corpo pintado de urucu,

tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                 [mouro ou de pagão.

(LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

A
o poeta sente-se livre para produzir uma poesia democrática, que associe rigor formal com versos sem métrica, resultante da mistura de diferentes estilos literários.
B
o enunciador denuncia as formas ditatoriais de privação intelectual e artística, e reclama uma produção poética democrática, que alcance diferentes povos, de forma indistinta.
C
a identidade do enunciador, seu fazer poético e sua visão de mundo são resultado de todas as culturas – indígena, negra, branca – que se instalaram no Brasil e que ganham voz, democraticamente, no texto.
D
o eu lírico aceita que, embora se viva numa sociedade democrática, há uma cultura dominante e outras dominadas, como consequência de um processo histórico.