As explosões que abalam Gaza e Israel abafaram um ruído que é potencialmente muito mais perigoso. Refiro-me às declarações do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu de que Israel tem de se assegurar de que "não haverá outra Gaza na Judeia e Samaria" (como os judeus se referem ao território que a comunidade internacional trata por Cisjordânia e é habitado majoritariamente pelos palestinos). Mais especificamente, Netanyahu declarou:
"Acho que o povo de Israel compreende agora o que eu sempre disse: não pode haver uma situação, sob qualquer acordo, na qual nós renunciemos ao controle de segurança no território a oeste do rio Jordão" (de novo, os territórios palestinos).
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/2014/07/1487168-palestina-o-sonho-acabou.shtml
Assinale a alternativa que apresenta uma interpretação correta das declarações do primeiro- ministro Binyamin Netanyahu.
"Acho que o povo de Israel compreende agora o que eu sempre disse: não pode haver uma situação, sob qualquer acordo, na qual nós renunciemos ao controle de segurança no território a oeste do rio Jordão" (de novo, os territórios palestinos).
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/2014/07/1487168-palestina-o-sonho-acabou.shtml
Assinale a alternativa que apresenta uma interpretação correta das declarações do primeiro- ministro Binyamin Netanyahu.
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa D
Tema central: A questão trata da política israelense sobre a Cisjordânia (Judeia e Samaria) e da interpretação de declarações do primeiro‑ministro Netanyahu sobre o controlo de segurança. É necessária compreensão de conceitos como soberania, controlo de segurança, e diferenças entre Gaza e Cisjordânia (contexto dos Acordos de Oslo e da retirada de Gaza em 2005).
Resumo teórico rápido: Um Estado plenamente soberano exerce autoridade política, jurídica e controle das suas fronteiras e segurança. Nos Acordos de Oslo (1993/1995) houve transferências limitadas de autoridade à Autoridade Palestina (Áreas A e B), mas Israel manteve controlo militar em áreas estratégicas (Área C). A afirmação “não renunciarmos ao controle de segurança” indica recusa em aceitar um Estado palestino com plena soberania sobre segurança no território.
Justificativa da alternativa D (correta): Netanyahu afirma que Israel não aceitará renunciar ao controlo de segurança a oeste do Jordão. Isso implica que não admitirá um Estado palestino plenamente soberano nessa área, pois soberania plena inclui controlo de segurança. Logo, a interpretação X — que a criação de um Estado palestino livre e plenamente soberano não pode ser admitida porque ameaçaria a segurança de Israel — corresponde diretamente ao sentido da declaração.
Análise das alternativas incorretas:
A — Falsa: generaliza posição política dos palestinos na Cisjordânia e minimiza riscos. A afirmação original refere-se à postura israelense sobre controlo de segurança, não a um diagnóstico sobre o compromisso dos palestinos com a solução de dois Estados.
B — Falsa: inverte o propósito. A declaração de Netanyahu justifica o controlo para proteger Israel, não “apenas” para proteger palestinos de grupos como o Hamas (além disso, o Hamas domina Gaza, não a Cisjordânia).
C — Falsa: distorce a frase. A alternativa sugere criação de um Estado apenas “a oeste do Jordão” (+ excluindo Gaza) e “à revelia de Gaza”, mas a fala de Netanyahu não propõe estabelecer um Estado; propõe negar autonomia de segurança — logo, não corresponde ao enunciado.
E — Falsa: afirma anexação inevitável e concessão de cidadania plena — isso não é declarado no texto. O foco da fala é o controlo de segurança, não a automática anexação territorial com cidadania para todos.
Dica de prova: Procure termos-chave (ex.: “não renunciemos ao controle de segurança”). Palavras de negação e “controle de” sinalizam que a disputa é sobre soberania real — principal pista para escolher a alternativa que trate da impossibilidade de um Estado plenamente soberano.
Fontes para estudo: Acordos de Oslo (1993/1995), estudos sobre áreas A/B/C e a retirada israelense de Gaza (2005).
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