Questão d6770191-fe
Prova:FGV 2014
Disciplina:Geografia
Assunto:Geografia Política

A Líbia vive a violência mais mortífera desde a guerra de 2011 [...] e, perante a incapacidade do governo em restaurar a ordem, o país mergulha cada vez mais no caos.

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Sobre a atual situação de violência mencionada na reportagem, é correto afirmar:

A
Grupos islamitas rebeldes se insurgiram contra o governo de Muammar Kadafi, tomaram o poder no norte do país e ameaçam avançar sobre a capital, Trípoli.
B
Desde 2011, operações militares comandadas pela OTAN e envolvendo forças armadas de diversos países se sucedem no combate às milícias que atuam na Líbia, que permanece sob ocupação internacional.
C
A violência cresceu no rastro da derrota na Líbia na guerra travada com o vizinho Egito em 2011, que resultou no enfraquecimento do exército nacional e no crescimento das milícias armadas.
D
Desde 2011, a Líbia não possui um governo reconhecido internacionalmente, já que as últimas eleições parlamentares foram fraudadas por milícias jihadistas que combatem entre si.
E
A violência resulta do enfrentamento entre as forças do incipiente exército líbio e as milícias islâmicas rivais, que tomaram diversos pontos do país e lutam pelo controle de Trípoli, a capital.

Gabarito comentado

P
Paula DelgadoMonitor do Qconcursos

Alternativa correta: E

Tema central: Geografia Política aplicada a estados fragilizados — análise da perda do monopólio da violência, fragmentação do poder e atuação de milícias armadas na Líbia pós-2011.

Resumo teórico (essencial): O Estado moderno, segundo Max Weber, detém o monopólio legítimo da força. Em conflitos pós‑revolucionários, como na Líbia, esse monopólio se rompe: surgem milícias locais, grupos armados rivais e uma tentativa incipiente de formar um exército nacional. Fontes: relatórios da ONU, International Crisis Group e Human Rights Watch sobre a Líbia documentam essa fragmentação.

Por que a alternativa E está correta: Explica com precisão a realidade observada: desde a queda de Gaddafi em 2011 houve enfraquecimento das estruturas centrais e multiplicação de milícias (incluindo islâmicas e tribais). O confronto é entre forças que tentam construir um exército nacional e diversas milícias rivais que disputam cidades e pontos estratégicos — inclusive tentativas de controle de Trípoli. Relatórios da ONU e análises do ICG descrevem esse padrão de disputa local e fragmentada.

Análise das alternativas incorretas:

A — Incorreta: mistura fatos de 2011 (rebelião contra Gaddafi) com uma descrição imprecisa. Não houve um único bloco islâmico que tomou todo o norte e agora ameaça Trípoli de forma unificada; o cenário é fragmentado.

B — Incorreta: a intervenção da OTAN ocorreu em 2011 (Operação Unified Protector) e não se trata de uma ocupação contínua com operações sucessivas desde então. Após 2011, a presença internacional foi majoritariamente diplomática e de apoio, não uma ocupação militar permanente.

C — Incorreta: não houve guerra da Líbia contra o Egito em 2011 que explique o crescimento das milícias. O conflito interno líbio é majoritariamente resultado da queda do regime e da luta pela hegemonia interna.

D — Incorreta: embora existam governos rivais e disputas de reconhecimento (por exemplo, GNA vs. outras autoridades), a afirmação sobre “últimas eleições fraudadas por milícias jihadistas” é falsa e simplista; o problema é mais complexo e envolve rivalidades regionais, tribais e políticas, não apenas fraude eleitoral jihadista.

Dica de prova: Procure palavras‑chave: "monopólio da violência", "milícias", "2011", "OTAN (única intervenção em 2011)". Desconfie de alternativas que generalizam (p. ex. "ocupação internacional contínua") ou misturam eventos de países diferentes.

Fontes recomendadas: relatórios da ONU sobre a Líbia, International Crisis Group — "Libya" e Human Rights Watch — relatórios pós‑2011.

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