Questão d287b6f5-dc
Prova:MACKENZIE 2013
Disciplina:História e Geografia de Estados e Municípios
Assunto:História e Geografia do Estado da Bahia

É necessário que se sustente a fé de sua Igreja. A religião santifica tudo e não destrói coisa alguma, exceto o pecado. [...]. Estas verdades demonstram que casamento é puramente competência da santa Igreja, que só seus ministros têm poder de celebrá-lo [...].

Nesse trecho, Antonio Conselheiro, líder do movimento que levou à Guerra de Canudos (1896-1897),

A
preparou as bases de uma sociedade religiosa, implantada após sua vitória na referida Guerra.
B
considerou o protestantismo a única saída para o bem-estar das populações e resolução de seus problemas.
C
expôs sua insatisfação com uma das medidas implantadas pela recém-proclamada república.
D
criticou o Estado laico, que proibia práticas religiosas – públicas e privadas – como o casamento católico.
E
resgatou as discussões entre Estado e religião, resolvidas com a oficialização do cristianismo evangélico enquanto religião do Estado brasileiro.

Gabarito comentado

M
Monica Lima Monitor do Qconcursos

Gabarito: Alternativa C

Tema central: conflito entre Igreja e Estado na República Velha e a resistência religiosa ao processo de secularização (casamento civil e perda de prerrogativas eclesiásticas). Para resolver a questão é preciso relacionar o trecho ao contexto histórico pós-1889.

Resumo teórico: Após a Proclamação da República (1889) houve políticas de laicização do Estado — separação Igreja-Estado e instituição do casamento civil obrigatório — consolidadas pela Constituição de 1891. Movimentos messiânicos no sertão, como o de Antônio Conselheiro em Canudos, reagiram a essas medidas defendendo a autoridade da Igreja sobre matrimônio e outros sacramentos. Fontes úteis: Constituição de 1891; Euclides da Cunha, Os Sertões (análise do fenômeno de Canudos).

Por que a alternativa C está correta: O trecho afirma que “casamento é puramente competência da santa Igreja, que só seus ministros têm poder de celebrá-lo”. Isso expressa insatisfação com a nova ordem republicana que instituiu o casamento civil e a separação entre Igreja e Estado. Logo, Conselheiro critica explicitamente uma medida implantada pela recém-proclamada república — exatamente o que diz a alternativa C.

Análise das alternativas incorretas:

  • A (errada): afirma que ele “implantou” uma sociedade religiosa após vitória — é falso: Canudos foi derrotado (1897); não houve vitória nem imposição duradoura por Antônio Conselheiro.
  • B (errada): atribui apoio ao protestantismo — o texto é claramente católico e defensor da autoridade da Igreja Católica; Conselheiro não defendia o protestantismo como solução.
  • D (errada): diz que o Estado laico “proibia práticas religiosas – públicas e privadas – como o casamento católico”. Isso exagera: o Estado laico retirou privilégios e instituiu o casamento civil, mas não proibiu celebrações religiosas privadas; o foco do trecho é a disputa sobre competência do matrimônio, não uma proibição total de cultos.
  • E (errada): afirma que se oficializou o cristianismo evangélico como religião do Estado — isso não ocorreu; a república foi marcada justamente pela laicização, não pela oficialização de religião evangélica.

Dica de prova: ao interpretar textos históricos, relacione palavras-chave (igreja, casamento, recém-proclamada república) ao contexto cronológico (Réplica 1889–1891). Desconfie de alternativas que transformam consequência em fato (vitória, oficialização religiosa) ou que radicalizam além do texto.

Leituras recomendadas: Constituição da República de 1891; Euclides da Cunha, Os Sertões.

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