Questão d197b69f-fe
Prova:FGV 2014
Disciplina:Geografia
Assunto:Geografia Política

A cidade de Nova York, que se tornou um exemplo de adoção de faixas para ciclistas em grandes metrópoles, também enfrentou resistências e conflitos por causa do programa da ex-diretora do Departamento de Transporte Jannet Sadik-Khan. Durante os seis anos de sua gestão, de 2007 a 2013, ela mudou a face da cidade. Implantou 450 quilômetros de caminhos para bicicletas, fechou o Times Square para a circulação de veículos e 'roubou' espaços das ruas para as chamadas 'plazas' – locais de convivência, com mesinhas, cadeiras, guarda-sóis e quiosques de alimentação.

            Folha de S. Paulo. NY enfrentou protestos, mas tinha metrô e trens eficientes. 10/08/2014, p. C7.                                                                                                                                                                    Adaptado.

Considerando-se as metrópoles brasileiras, é correto afirmar:

A
Pode-se dizer que há semelhança entre o tratamento dado às ciclovias nas metrópoles brasileiras e o que se dá aos transportes coletivos.
B
São raras as metrópoles brasileiras que possuem um sítio urbano tão plano quanto o de Nova York, condição sem a qual fica muito difícil investir nas ciclovias.
C
Ciclovias exigem grandes investimentos porque incidem no sistema viário normal, que tem de ser reformado, e as cidades brasileiras não possuem recursos para isso.
D
Ciclovias só são viáveis em cidades com transportes coletivos bem estruturados, portanto, em cidades pouco automobilizadas, o que não é o caso das metrópoles brasileiras.
E
Todas as metrópoles brasileiras vêm recebendo investimentos crescentes no transporte cicloviário, inclusive com respaldo importante do conjunto das sociedades urbanas e dos meios de informação.

Gabarito comentado

T
Taina VegaMonitor do Qconcursos

Resposta correta: A

Tema central: relações entre políticas de mobilidade urbana (ciclovias) e o tratamento dado ao transporte coletivo nas metrópoles brasileiras. Relevância: concursos cobram compreensão de políticas públicas, estrutura urbana e conflitos sociais nas cidades.

Resumo teórico: A Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012) prevê esforço por sistemas multimodais e integração entre modos — inclusive bicicleta — como alternativa ao domínio do automóvel. Na prática, em muitas metrópoles brasileiras, ciclovias e transportes coletivos sofrem com subfinanciamento, disputas por espaço viário e resistência política/privada. Projetos de ciclovias podem ser de baixo custo (faixas pintadas, reallocação de via) ou de maior custo (pistas segregadas, calçadas, sinalização), mas a implantação enfrenta barreiras semelhantes às do ônibus e metrô: prioridade política, recursos e acceptabilidade social.

Por que A está correta? A alternativa afirma semelhança entre o tratamento dado às ciclovias e ao transporte coletivo. Isso é verdadeiro: ambos frequentemente são secundarizados frente ao carro, enfrentam falta de investimento contínuo, conflitos com comerciantes e motoristas e ações pontuais em vez de políticas integradas. Ex.: implantação reativa, protestos locais e projetos fragmentados nas grandes cidades brasileiras.

Por que as outras estão erradas:

B — A afirmação sobre topografia é enganosa. Ciclovias já são viáveis em relevo variado (Curitiba, Belo Horizonte, Recife têm trechos com desnível). Aplainamento não é condição necessária.

C — Nem sempre exigem grandes investimentos estruturais; muitas medidas são de custo baixo (reconfiguração viária, pintura, sinalização). O problema é político-institucional mais que incapacidade financeira absoluta.

D — Ciclovias não são exclusivas de cidades com transporte coletivo bem estruturado. Podem coexistir com sistemas frágeis e até servir como alternativa ao transporte motorizado em áreas com má cobertura.

E — Generalização incorreta: investimentos em cicloviário são desiguais e nem sempre crescentes; o respaldo social e da mídia também varia conforme cidade e momento político.

Dica de prova: desconfiar de termos absolutos ("só", "todas", "condição sem a qual"). Busque relações estruturais (leis, políticas públicas) e exemplos reais para validar afirmações.

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