Questão c609eff8-b2
Prova:UNEB 2017
Disciplina:Geografia
Assunto:Geografia Econômica

Retomemos aqui o assunto principal desta palestra, que é o problema da conciliação do interesse individual com o interesse coletivo. Este tema, como todos sabemos, é tratado [...] em sua famosa passagem da mão invisível. Seu argumento diz, basicamente, que cada indivíduo, agindo apenas em nome de seu próprio interesse, acaba contribuindo, sem o saber, para o bem comum, que, em nenhum momento, tinha sido seu objetivo declarado. [...] [...] o argumento [...] tem a ver com crescimento econômico. Diz ele que, como é do interesse de cada indivíduo enriquecer, e como cada indivíduo sabe melhor do que outras pessoas julgar seu próprio interesse e decidir sobre os melhores meios de atingi-lo, o melhor que ele tem a fazer é buscar seu próprio interesse. Ao agir dessa forma, esse indivíduo enriquecerá. Ora, se todos agirem assim, todos enriquecerão e, portanto, o país como um todo enriquecerá. Vemos assim que o argumento original da mão invisível não é tão paradoxal quanto pode parecer para alguns, afinal de contas. Isso porque o interesse individual não é antagônico ao interesse geral. Muito pelo contrário, sob essa ótica, o interesse geral é simples soma dos interesses individuais. (RETOMEMOS... 2017).

A origem da riqueza das nações sempre foi motivo de debate e divergência entre pesquisadores, cientistas e políticos, sendo que o pensamento econômico retratado no texto se relaciona ao

A
Renascimento, que acreditava na razão como elemento de crítica ao teocentrismo medieval, que negava a acumulação de capital individual, buscando o fortalecimento do Estado.
B
Calvinismo, quando afirmava ser a mão invisível de Deus determinava que todos os homens, principalmente os trabalhadores, tinham possibilidade de enriquecimento, dependendo apenas do esforço individual.
C
Mercantilismo, que se baseava na ideia de que o Estado deveria promover a liberdade de produção e comercialização, objetivando o enriquecimento individual e, consequentemente, do Estado.
D
liberalismo econômico, que defendia a plena liberdade individual de produção, sem a interferência estatal, como elemento de progresso e de promoção da riqueza da nação.
E
Estado de Bem-Estar Social, consolidado após a Segunda Guerra Mundial, que, no contexto da Guerra Fria, criticava a planificação estatal soviética e defendia a existência de um Estado Mínimo.

Gabarito comentado

T
Taina VegaMonitor do Qconcursos

Alternativa correta: D — liberalismo econômico

Tema central: o enunciado trata da conciliação entre interesse individual e interesse coletivo por meio da chamada "mão invisível", conceito clássico do liberalismo econômico. É importante reconhecer esse termo e sua relação com autores como Adam Smith.

Resumo teórico: o liberalismo econômico clássico (Adam Smith, A Wealth of Nations, 1776) defende que indivíduos, buscando seu interesse próprio em mercados livres, contribuem para o bem-estar geral. Princípios chave: liberdade de produção e troca, mínima intervenção estatal (laissez-faire), divisão do trabalho e mecanismo de preços coordenando ofertas e demandas.

Por que a alternativa D é correta: o enunciado descreve exatamente a ideia da mão invisível — ação individual que gera benefício coletivo via mercado livre. Isso é a essência do liberalismo econômico, logo a alternativa D é a adequada.

Análise das incorretas:

A — Renascimento: movimento cultural e intelectual; não representa doutrina econômica de mercado nem formulação da mão invisível. Errado por enquadramento histórico-cultural.

B — Calvinismo: religião/protestantismo influenciou ética do trabalho (Weber), mas não propôs a teoria econômica da mão invisível nem um sistema de liberdade econômica como teoria econômica formal.

C — Mercantilismo: oposto ao liberalismo: defende intervenção estatal, políticas protecionistas e acumulação de metais preciosos; não promove liberdade econômica como motor da riqueza nacional.

E — Estado de Bem-Estar Social: corrente pós‑Segunda Guerra que aceita maior intervenção e políticas sociais; defende maior presença do Estado, não o Estado mínimo do liberalismo clássico.

Dica de prova: ao ver "mão invisível" ou "interesse individual gera bem comum via mercado", assinale liberalismo. Cuidado com alternativas que misturam termos históricos ou religiosos — elas são armadilhas comuns.

Fontes rápidas: Adam Smith, A Wealth of Nations (1776); Max Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1905) — referências úteis para contextualizar.

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