A compreensão da dimensão evolutiva existente na relação patógeno-hospedeiro é fundamental para a
elaboração de políticas de saúde pública. Um exemplo disso é a evolução do vírus HIV no mundo. De acordo
com a Teoria Sintética da Evolução Biológica, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) tenderá a se
tornar, em longo prazo:
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa D
Tema central: evolução da virulência em relações patógeno–hospedeiro. É essencial entender como a seleção natural age sobre características do agente (transmissibilidade, letalidade) e sobre o tempo de infectividade do hospedeiro.
Resumo teórico: segundo a Teoria Sintética e modelos clássicos (Anderson & May; Ewald), a evolução da virulência resulta de um trade‑off entre transmitir bem e não matar o hospedeiro rápido demais. A seleção tende a favorecer variantes que maximizem R0 (número médio de novos casos por caso). Assim, em longo prazo, cepas com menor virulência podem predominar porque mantêm o hospedeiro vivo por mais tempo, aumentando oportunidades de transmissão. Exemplos históricos: vírus da mixomatose em coelhos (Fenner & Fantini).
Justificativa da alternativa D: D afirma que a AIDS tenderá a ser menos grave devido à maior sobrevivência de populações infectadas por cepas menos patogênicas. Isso está alinhado ao trade‑off: variantes menos letais proporcionam janelas maiores de transmissão e, portanto, podem ser selecionadas em longo prazo.
Análise das alternativas incorretas:
- A — erros: mutações associadas a resistência a medicamentos não implicam automaticamente aumento de virulência; muitas vezes há custo de aptidão.
- B — incoerente: diz “menos grave devido à menor sobrevivência de populações…”; menor sobrevivência contradiz “menos grave”.
- C — errado: maior sobrevivência de populações infectadas por cepas mais patogênicas é improvável, pois cepas muito virulentas costumam reduzir a sobrevivência e, portanto, a transmissão.
- E — parcial/enganosa: adaptação ao hospedeiro pode otimizar transmissão sem elevar virulência; “maior adaptação” não implica necessariamente maior gravidade.
Dica de interpretação: ao ver “longo prazo”, pense em seleção natural e R0. Procure termos conflitantes dentro das alternativas (ex.: “menos grave” + “menor sobrevivência”) — essas são pegadinhas comuns.
Fontes recomendadas: Anderson RM & May RM (1982), Ewald PW (1983), Fenner & Fantini (1999) e revisões sobre evolução da virulência e HIV (Nowak & May).
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