Questão b5da35a4-b5
Prova:IFN-MG 2017
Disciplina:Biologia
Assunto:Hereditariedade e diversidade da vida

A revista VEJA de 07 de outubro de 2003 trouxe em sua coluna de Agricultura um artigo com o seguinte título: "A Supersemente — Boicotada na Europa e festejada nos EUA, soja com gene de bactéria chega ao Brasil."


Trata-se de mais um organismo transgênico. Esta variedade de soja carrega em seu genoma um gene bacteriano resistente aos herbicidas, que além de combater ervas daninhas, mantém a cultura. A transgenia é uma técnica muito utilizada na Biotecnologia. Consiste em inserir o gene (DNA) responsável por uma determinada característica, de um organismo no DNA do embrião de outro (transgênico).

Se no lugar do DNA bacteriano fosse transferido o RNA-m, a planta adulta:

A
Não seria resistente, pois o RNA-m injetado atuaria temporariamente, não sendo transmitido às novas células que formariam a planta.
B
Só seria resistente se também fossem transferidos os ribossomos bacterianos.
C
Não seria resistente, pois, considerando o RNA-m como um corpo estranho, este seria eliminado.
D
Seria resistente, pois o RNA-m transferido produz uma grande quantidade de proteína que confere resistência durante toda a vida da planta.

Gabarito comentado

R
Robson FriasMonitor do Qconcursos

Alternativa correta: A

Tema central: entende-se a diferença entre transferir DNA (integração no genoma = característica herdável) e transferir RNA mensageiro (mRNA), que é transitório. A questão testa conhecimentos do dogma central da biologia molecular e da biotecnologia vegetal (como se obtém uma planta transgênica estável).

Resumo teórico: - DNA integrado ao genoma é replicado em cada divisão celular e transmite a característica a todas as células-filhas (e é herdável). - mRNA é uma molécula de vida curta: traduz-se em proteína no citoplasma, mas não se integra ao DNA nem é replicado nas mitoses, sendo degradado e diluído pela divisão celular. - Para gerar plantas transgênicas estáveis usa-se inserção de DNA (ex.: Agrobacterium tumefaciens ou biobalística) — não basta fornecer apenas mRNA (Alberts et al., Molecular Biology of the Cell; dogma central de Crick).

Por que a alternativa A está correta: O mRNA injetado produziria proteína temporariamente, mas não seria incorporado ao genoma do embrião. À medida que as células do embrião se dividem, o mRNA é degradado e sua presença é diluída; portanto a planta adulta não manteria a produção contínua da proteína de resistência nem a transmitiria às células novas. Logo, a resistência não seria mantida na planta adulta.

Análise das alternativas incorretas: - B: Errada — ribossomos são componentes celulares presentes na planta; não é necessário “transferir ribossomos bacterianos”. A tradução do mRNA ocorre nos ribossomos do próprio hospedeiro. - C: Parcialmente enganosa — o mRNA pode ser degradado por RNAses, mas o ponto-chave é a ausência de integração e hereditariedade, não apenas um ato de “eliminação por ser corpo estranho”. - D: Errada — mRNA não garante produção vitalícia; sua tradução é temporária. Para produção contínua ao longo da vida da planta é preciso um gene (DNA) integrado que seja transcrito continuamente.

Estratégia para resolver questões assim: identifique se a alteração proposta é genética (DNA → estável) ou apenas de expressão temporária (mRNA → transitório). Pergunte-se: isso será replicado em cada divisão celular? Se a resposta for não, a característica não será mantida na planta adulta.

Fontes recomendadas: Alberts et al., Molecular Biology of the Cell; revisões sobre transformação vegetal (ex.: Gelvin, 2003).

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