Questão 8d7c8cc8-dc
Prova:UFRN 2011, UFRN 2011, UFRN 2011
Disciplina:Biologia
Assunto:Hereditariedade e diversidade da vida

O texto abaixo reproduz parte de uma reportagem do programa “Globo Rural” que abordou uma Norma Federal reguladora do cultivo de milho transgênico e do milho convencional.

“Em cada propriedade, o fiscal federal agropecuário faz o teste na lavoura. A folha é misturada a uma solução que aponta se a proteína da planta é geneticamente modificada. O resultado sai em cinco minutos. [...]

Toda essa tecnologia é usada para ajudar o produtor rural a cumprir uma norma que existe desde 2007, que determina o espaçamento necessário entre a lavoura de milho convencional e a lavoura de milho transgênico do vizinho.

Quando uma lavoura de milho transgênico faz divisa com outra que tem milho convencional o produtor deve respeitar a distância mínima de isolamento de cem metros. Se isso não for possível, o proprietário do milho transgênico deve fazer uma borda com 20 metros onde tenha pelo menos dez linhas de milho convencional. [...]”

“Com isso, estaremos garantindo para o agricultor vizinho que, se planta milho convencional, ele possa vender como milho convencional. Se a gente não fizer isso, o vizinho que planta o milho convencional do lado de quem planta milho transgênico, vai ter que vender o milho como transgênico”, explicou o agrônomo Rodrigo Pita.”

Disponível em: http://globoruraltv.globo.com/GRural/0,27062,LTO0- 4370-341389,00.html. Acesso em: 8 jul.2010.


Para que o agricultor continue a ter sua plantação classificada como milho convencional, o cumprimento da Norma reduz a possibilidade de

A
contaminação da planta convencional com uma proteína estranha.
B
manutenção da quantidade normal do pólen produzido pelas anteras.
C
deformação nas estruturas das anteras e dos pistilos.
D
contato do pólen da planta transgênica com a convencional.

Gabarito comentado

R
Robson FriasMonitor do Qconcursos

Alternativa correta: D

Tema central: trata-se de fluxo gênico entre lavouras — ou seja, a transferência de genes por meio do pólen. A norma sobre espaçamento e bordas busca evitar que o pólen de milho transgênico fecunde plantas convencionais, o que faria com que as sementes resultantes expressassem a característica transgênica e perdessem a classificação de “convencional”.

Resumo teórico (claro e progressivo):

- Biologia do milho: milho é principalmente uma planta anemófila (polinização pelo vento) e altamente alógama (cruza com outras plantas). O pólen viaja e pode fecundar plantas vizinhas.

- Consequência da fecundação: se um óvulo de planta convencional for fecundado por pólen transgênico, as sementes (grãos) resultarão portando o transgene e poderão expressar a proteína modificada — daí o risco de “contaminação” genética da produção.

Justificativa da alternativa D: a norma (distância de isolmento / borda com linhas convencionais) visa reduzir o contato do pólen da planta transgênica com a convencional. Esse contato é o mecanismo direto pelo qual ocorre o fluxo gênico e a presença de transgenes nas gerações seguintes, alterando a classificação do produto para transgênico. Portanto, a alternativa D descreve exatamente o risco que a norma pretende minimizar.

Análise das alternativas incorretas:

A: “contaminação da planta convencional com uma proteína estranha.” — é impreciso: a preocupação é com a entrada do gene no material reprodutivo (sementes) via pólen, não com “depositar” proteína nas folhas da planta vizinha. O teste detecta proteína nos grãos/folhas da nova geração, consequência do fluxo gênico.

B: “manutenção da quantidade normal do pólen produzido pelas anteras.” — irrelevante. A norma não visa alterar a quantidade de pólen, mas evitar que o pólen transgênico alcance plantas convencionais.

C: “deformação nas estruturas das anteras e dos pistilos.” — também irrelevante: não há relação com deformações; o problema é transferência de genes por pólen funcional.

Dica para provas: ao ler enunciados sobre “distância”/“isolamento”/“bordas”, associe imediatamente a redução do fluxo de pólen. Palavras-chave (vender como convencional / evitar que vire transgênico) indicam risco de cruzamento, não efeitos físicos nas plantas.

Fontes úteis: CTNBio e Ministério da Agricultura (MAPA) sobre regulamentação de OGMs; literatura sobre fluxo gênico e polinização (ex.: documentos da FAO sobre fluxo gênico; livros de genética de plantas como Campbell & Reece para fundamentos).

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