O Brasil experimentou, na segunda metade do século 20, uma das mais rápidas transições urbanas da história mundial. Ela transformou rapidamente um país rural e agrícola em um país urbano e metropolitano, no qual grande parte da população passou a morar em cidades grandes. Hoje, quase dois quintos da população total residem em uma cidade de pelo menos um milhão de habitantes.
(Adaptado de George Martine e Gordon McGranahan, “A transição urbana brasileira: trajetória, dificuldades e lições aprendidas”, em Rosana Baeninger (org.), População e cidades: subsídios para o planejamento e para as políticas sociais. Campinas: Nepo / Brasília: UNFPA, 2010, p. 11.)
Considerando o trecho acima, assinale a alternativa correta.
(Adaptado de George Martine e Gordon McGranahan, “A transição urbana brasileira: trajetória, dificuldades e lições aprendidas”, em Rosana Baeninger (org.), População e cidades: subsídios para o planejamento e para as políticas sociais. Campinas: Nepo / Brasília: UNFPA, 2010, p. 11.)
Considerando o trecho acima, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
Alternativa correta: D
Tema central: urbanização e industrialização no Brasil do século XX — como a Crise de 1929 e a política de industrialização por substituição de importações (ISI) impulsionaram a migração rural‑urbana e a necessidade de grande contingente de trabalhadores urbanos.
Resumo teórico breve: após 1929 diminuiu a rentabilidade das exportações (café), estimulando o Estado e empresários a incentivar a indústria nacional para atender o mercado interno. Esse processo (décadas de 1930–1980) concentrou investimentos nas cidades, gerando empregos industriais e atraindo população rural para centros urbanos — processo documentado em estudos e nos dados do IBGE e por autores como Martine & McGranahan (2010).
Por que D está correta: a alternativa descreve corretamente a relação causal: crise de 1929 → política de ISI (ex.: governo Vargas e políticas protecionistas) → crescimento da indústria voltada ao mercado interno → aumento da demanda por mão de obra urbana e intensificação da urbanização. Fontes: IBGE (Censos Demográficos) e literatura sobre ISI e urbanização brasileira.
Análise das incorretas:
A — incorreta. A ocupação das fronteiras agrícolas (Amazônia, Centro‑Oeste, Paraná) foi importante, mas caracterizou movimentos de fronteira agrária mais intensos a partir das décadas de 1950–1970; não foi o fator gerador principal da macrossaída rural → urbana observada já desde 1930–1980.
B — incorreta. A urbanização 1930–1980 não se caracterizou por distribuição equilibrada em cidades médias: houve forte concentração em grandes cidades e metrópoles (processo de metropolização), com crescimento acelerado de capitais e grandes pólos industriais.
C — incorreta. Os censos recentes mostram desaceleração do crescimento relativo das maiores cidades; houve interiorização e crescimento relativo de cidades médias e pequenas em muitas regiões. Portanto não é correto afirmar que grandes cidades (>500 mil) têm crescimento relativo mais acelerado que médias/pequenas.
Dica de prova: ao identificar palavras‑chave como "crise de 1929" e "industrialização por substituição", imediatamente associe com migração para centros urbanos e aumento da oferta de trabalho industrial — isso costuma indicar a alternativa correta.
Fonte recomendada: IBGE (Censos Demográficos); Martine & McGranahan (2010) — estudos sobre transição urbana brasileira.
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