Várias linhagens de seres vivos surgiram e desapareceram durante a história da vida na
Terra, com poucas linhagens perdurando até os dias de hoje. O registro fóssil serve de
ferramenta para biólogos e paleontólogos identificarem quando e, às vezes, como esses eventos
aconteceram. Os pesquisadores utilizam características morfológicas dos fósseis para identificá los
como sendo pertencentes a uma determinada linhagem. O processo evolutivo, como o
conhecemos, possui taxas de transformação que operam em velocidades diferentes.
Normalmente, a taxa de mudanças no genoma ocorre numa velocidade superior às taxas de
mudanças em padrões fisiológicos, morfológicos ou comportamentais. Isso significa que
transformações genéticas ocorrerão antes das demais. Um biólogo evolutivo ou sistemata deve
levar essas taxas em consideração quando for realizar uma análise para calcular o tempo de
origem de uma linhagem. Para calcular o tempo de origem, o pesquisador utiliza um modelo
matemático para predizer como o genoma evoluiu associado com uma calibração baseada nas
idades dos fósseis da linhagem de interesse. A calibração serve para restringir o modelo
matemático de forma a fazer com que os cálculos não gerem resultados surreais. Com base
nessas informações, assinale a alternativa correta:
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa D
Tema central: interpretação do papel do registro fóssil em calibrações de relógios moleculares e no estabelecimento da idade mínima de uma linhagem. É essencial saber que fósseis fornecem limites mínimos para a origem de grupos, não a data exata.
Resumo teórico simples e progressivo:
- Um fóssil atribuído a uma linhagem tem uma idade geológica que indica que essa linhagem já existia naquele tempo. Logo, o surgimento da linhagem não pode ser posterior a esse fóssil.
- Por isso, o fóssil mais antigo funciona como um mínimo para a origem da linhagem; a origem real pode ser igual ou mais antiga.
- Modelos de relógio molecular usam esses fósseis como calibrações (limites mínimos, às vezes máximos ou “soft bounds”) para estimar tempos de divergência (ver Parham et al., 2012; Benton & Donoghue, 2007).
Justificativa da alternativa D:
A alternativa D afirma que a origem da linhagem é necessariamente mais antiga do que o fóssil mais antigo. Interpretando em termos práticos de calibração: o fóssil mais antigo fornece um limite mínimo; portanto a origem da linhagem não pode ser mais recente que esse fóssil — ela deve ser igual ou anterior (isto é, mais antiga). Assim, D expressa corretamente que a origem está antes (ou no mínimo na mesma época) do fóssil mais antigo, o que é o princípio usado em datações paleontológicas e moleculares.
Análise das alternativas incorretas:
A — Errada: a idade do fóssil mais jovem não coincide necessariamente com a origem; fósseis jovens só mostram sobrevivência até aquela época, não o início.
B — Errada/enganosa: diz que o fóssil mais antigo é necessariamente anterior à origem — invertido: o fóssil não pode ser anterior à origem (um fóssil não pode existir antes do surgimento do grupo).
C — Errada: assumir que o fóssil mais antigo tem exatamente a mesma idade da origem é excessivo; é possível, mas não é necessário nem geralmente verdadeiro.
E — Errada: afirma o oposto do que se observa; a origem não é necessariamente mais recente que o fóssil mais jovem — isso violaria a lógica temporal do surgimento e do registro fóssil.
Dica de interpretação para provas: Atente para palavras absolutas como “necessariamente” ou “mesma idade”. Pergunte-se: o enunciado descreve um limite mínimo ou uma data exata? Se for mínimo, a alternativa que indica “origem ≥ idade do fóssil mais antigo” é a correta.
Fontes úteis: Parham et al., Systematic Biology (2012) — guidelines for fossil calibrations; Benton & Donoghue, Trends Ecol. Evol. (2007) — fossil calibration overview.
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