No livro Os sertões, Euclides da Cunha aborda o episódio da Guerra de Canudos (1896-1897), organizando seu texto em três partes: a terra, o homem, a luta.
A letra do samba, inspirada nessa obra, apresenta uma imagem do sertão nordestino vinculada ao seguinte aspecto:
Os sertões
Marcado pela própria natureza Foi no século passadoO Nordeste do meu Brasil No interior da BahiaOh! solitário sertão O Homem revoltado com a sorteDe sofrimento e solidão do mundo em que vivia
A terra é seca Ocultou-se no sertãoMal se pode cultivar espalhando a rebeldiaMorrem as plantas e foge o ar Se revoltando contra a leiA vida é triste nesse lugar Que a sociedade oferecia
Sertanejo é forte Os Jagunços lutaramSupera miséria sem fim Até o finalSertanejo homem forte Defendendo CanudosDizia o Poeta assim Naquela guerra fatal
Edeor de Paula
Samba de enredo da G.R.E.S. Em cima da Hora, em 1976.
letras.mus.br
Gabarito comentado
Alternativa correta: D — determinismo ambiental
Por que esse é o tema central?
O samba recupera a imagem do sertão como uma paisagem que condiciona a vida das pessoas: "A terra é seca", "Mal se pode cultivar", "Morrem as plantas". Esse vínculo causal entre ambiente físico e comportamento/situação humana é a marca do determinismo ambiental.
Resumo teórico (claro e objetivo)
Determinismo ambiental: teoria que atribui à natureza (clima, solo, relevo) papel decisivo na formação das sociedades, culturas e comportamentos. Foi corrente no século XIX/XX, associada a autores como Ellsworth Huntington; criticada e complementada por correntes como o possibilismo (Vidal de la Blache) e abordagens históricas e socioeconômicas modernas. Em Geografia Política, hoje evita‑se explicações monocausais do tipo ambientalista absoluto.
Justificativa da resposta
A letra enfatiza fatores naturais como causas da miséria e da rebeldia sertaneja. Esse nexo "ambiente → condição social/atitude" é exatamente o enunciado do determinismo ambiental, portanto a alternativa D é a correta.
Análise das alternativas incorretas
A — mandonismo local: refere‑se ao poder de coronéis/clientelismo; a letra não destaca chefias ou redes de poder, mas a aridez e suas consequências.
B — miscigenação racial: ausência de referência a raça ou mistura étnica na letra; tema irrelevante aqui.
C — continuísmo político: ligado à repetição de elites no poder; a canção fala de seca e sofrimento, não de manutenção política de grupos.
Estrategia para provas
Procure palavras-chave no enunciado/trecho: termos que indiquem causa ambiental ("seca", "terra") apontam para determinismo; já palavras como "coronel", "família", "eleição" apontariam para mandonismo/continuísmo. Descarte alternativas que não têm ligação direta com o texto.
Fontes sugeridas: Euclides da Cunha, Os Sertões; conceitos clássicos em Geografia: Ellsworth Huntington (determinismo) e Pierre Vidal de la Blache (possibilismo).
Resumo final: a letra apresenta uma explicação em que o meio físico explica a condição humana e a rebeldia — típico do determinismo ambiental (D).
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