Leia o texto a seguir.
A concentração de imigrantes pobres nas cidades confunde aqueles que contavam utilizar a imigração
branca para “civilizar” o país. Torna-se evidente uma realidade social cujos termos eram até então antinômicos: a existência de europeus pobres, nivelados ao estatuto dos escravos de ganho e do eito,
exercendo atividades insalubres e personificando formas de decadência social que pareciam estar reservadas aos negros.
(ALENCASTRO, L. F.; RENAUX, M. L. Caras e modos dos migrantes e imigrantes. In. NOVAIS, F. A.; ALENCASTRO, L. F. História
da Vida Privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p.310.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a imigração europeia para o Brasil, entre os séculos XIX e
XX, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) As condições precárias de vida dos proletários e camponeses europeus foram determinantes para a
sua vinda para o Brasil.
( ) O incentivo à imigração europeia para o Brasil tinha duas funções principais: prover de mão de obra
as lavouras e “civilizar” o Brasil.
( ) A decadência social dos imigrantes europeus contribuiu para a manutenção da precária eficácia da
administração pública do Brasil.
( ) A tentativa de atração de imigrantes europeus para o Brasil tinha por objetivo suprir o vazio deixado
pelo fim do tráfico de escravos negros vindos da África.
( ) A imigração de europeus para o Brasil se revelou um total fracasso devido às limitações impostas
pela classe social da qual eram oriundos.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa A (V, V, F, V, F)
Tema central: imigração europeia ao Brasil (séc. XIX–XX). É preciso entender fatores de pressão na Europa (push), incentivos no Brasil (pull), e as expectativas sociais (ideias de “branqueamento” e oferta de mão de obra após o tráfico/abandono do trabalho escravo).
Resumo teórico: as imigrações foram motivadas por pobreza rural, crises agrárias e industrialização europeia; o Estado e elites brasileiras incentivaram a vinda de europeus para suprir mão de obra (especialmente para o café) e para uma ideologia civilizadora/ racial (Alencastro; Novais). Nem sempre o projeto “funcionou” socialmente — houve pobreza e marginalização —, mas nem foi um “total fracasso”: muitos imigrantes integraram-se na economia e na colonização de regiões.
Justificativa das afirmações (de cima para baixo):
1) V — Condições precárias na Europa (fomes, desemprego, cercamentos, crise agrária) foram determinantes como fatores de saída. (Fonte: estudos sobre migrações europeias e Hist. da Vida Privada — Alencastro).
2) V — O estímulo tinha dupla função: prover mão de obra para lavouras/indústria e promover o ideal de “civilizar/branqueamento” da população.
3) F — A “decadência social” de imigrantes expunha contrastes urbanos e pobreza, mas não foi causa direta da ineficácia da administração pública; trata-se de uma leitura causal indevida do fenômeno.
4) V — A atração buscava suprir, em parte, o vazio de mão de obra após o enquadramento legal contra o tráfico (Lei Eusébio de Queirós, 1850) e a transição rumo à abolição (1888).
5) F — Não foi “total fracasso”: apesar de dificuldades sociais, a imigração forneceu trabalhadores, povoou áreas rurais e contribuiu à industrialização; limitações sociais existiram, mas não eliminaram os efeitos econômicos e demográficos.
Dica de prova: cuidado com termos absolutos (total, sempre, determinante como única causa). Identifique fatores push/pull e diferencie correlação de causalidade.
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